Trabalhando com o Arcanjo Gabriel - Parte Final

< Parte IV

Por William Mistele


EVOCAÇÃO, LETRA CÓSMICA E, POEMAS

Quando pratico evocação costumo criar um lugar onde o espírito possa se manifestar livremente em minha presença. Faço isso principalmente através da concentração e meditação. Quando estou trabalhando com as outras pessoas, gosto de verbalizar em voz alta uma forma poética do que estou fazendo através da concentração. É uma maneira de evocar como em uma oração, e funciona se seu sentimento for profundo o suficiente ou há pessoas presentes o suficiente para ajudar, derramando a energia de suas almas.

UMA EVOCAÇÃO DO ARCANJO GABRIEL

Venha Arcanjo Gabriel, converse comigo. Imerja do seu mar infinito, do seu mar de êxtase divino, do mar cujas ondas são a pura felicidade – onde o tempo dissolve-se. Venha, Você, cujas asas brilham com a luz da eternidade.

Eu não estou clamando sozinho. Veja esse círculo de corações em volta de mim – cada um é um diamante brilhando furiosamente. Cada um revelando um aspecto de Tua Luz. Veja a fome queimando em cada um desses corações, uma fome que Você não conhece verdadeiramente – pois nós não viemos te adorar, mas dar mais um passo com a ajuda do Teu coração e da Tua alma, em nossa jornada em direção à Luz Única.

Você não pode recusar e nem resistir a este pedido – o chamado desse círculo de corações unidos como um. Nós O chamamos pelo poder da Lei Una, A Lei do Amor que o une o universo, amor clamando ao amor para vir e abraçar o mistério.

Deslize com suas asas através do mar da felicidade. Ilumine minha casa através do espaço-tempo. Venha, revele-se e enflore-nos com teu mistério.

Venha, Você que carrega em si a taça da Visão Divina – a taça cujas visões de toda a história giram, presas em um redemoinho, mas que Suas palavras e a luz em Seus olhos clareiam, acalmam, pacificam e revelam os mistérios do tempo, do espaço e da sabedoria.

Eu imploro, Arcanjo Gabriel, revele vossa alma, seu coração e suas visões, para que eu possa completar a minha jornada rumo à Luz Una. Venha com Vossa paz. Ilumine essa sala – junte-se ao círculo conforme teus dedos pousam em mim – una este instante com a eternidade. Sente-se e não parta tão depressa. Permaneça conosco!

Junte Vossas mãos com as nossas, compartilhe sua sabedoria e dance conosco em direção ao centro desse círculo de amor, esse círculo de paz.

Venha, Arcanjo Gabriel.
Nós te oferecemos corações com amor.
Venha, venha agora!

A LINGUAGEM CÓSMICA DE FRANZ BARDON E A EVOCAÇÃO

Existem várias maneiras de criar campos de energia que auxiliam na evocação de um espírito como Gabriel. Recentemente, visualizei e condensei uma luz prateada como a lua. No passado, usei a letra cósmica E, que também se relaciona com a energia lunar. A letra cósmica E está no nome de Gabriel, e pode ser usada para trabalhar com ele. Abaixo está um ensaio sobre a letra cósmica E para a evocação de Gabriel.

Resumidamente, para Franz Bardon, uma das coisas essências na evocação é criar um campo de energia que facilite a aparição do ser celestial. Usar manipulação energética na evocação demonstra conhecimento das leis universais e respeito pelo espírito evocado. É como dizer: “Eu ofereço a você este lugar, um lugar onde os mundos juntam-se”.

Cada letra, no verdadeiro nome de um ser, é um reflexo dos blocos de construção básicos do universo, nesse caso a letra E no nome de Gabriel. A letra cósmica E têm três partes unidas em uma: um som, uma cor, e uma sensação elemental – esses são os blocos de construção crus de energia e é nossa mente e espírito que os molda como um oleiro faz com a argila ou um artista com a pintura para expressá-los de uma maneira específica.

A letra cósmica E tem uma nota de D na escola C central que nesta aplicação é como um vasto mar luminoso, iluminando tudo: interiormente e exteriormente. Não é uma nota que você toca na sua guitarra, flauta ou órgão. A mente tem um o poder de criar êxtase e por esse som a mente, sua mente, pode alcançar e tocar o infinito. Não há nenhuma dúvida quanto a isso, mas talvez você precise aprender, antes de acreditar. É algo para se aprender através da experiência.

Imagine um mar de luz, um mar sem praias e dentro de todo esse espaço, tempo e história são iluminados. E conforme o som passa entre os seus lábios, imagine que esse mar é constituído de puro êxtase e felicidade, como se fosse um mar infinito de amor e você está boiando nele. Sinta e contemple as ondas ao seu redor, toque-as com afago, e flua com elas, sinta as marés e as correntes se agitando e despertando profundamente dentro de você.

Lembre-se que foi mencionado que Gabriel tem uma flauta, ouça-o tocar a nota da letra cósmica E. Observe o som deslizando entre seus lábios – o som que dissolve todos os selos, todos os cadeados, e abre todas as portas.

Embora trema todas as células do corpo, não é algo perturbador. Embora passe todos os lugares obscuros, por todas as portas e portões do seu ser, você ainda se sente em paz enquanto preenchido por esse som.

Agora, por intermédio desse som, começamos a criar um lugar onde o arcanjo pode assentar-se e sentir-se livre para aparecer – o tapete acolhedor está posto.

Há também a cor violeta escuro. Com essa cor, criamos um lugar de profunda serenidade, pois tem a ver com a lua – a esfera onde os sonhos podem nascer e visões são forjadas e ensaiadas. Não é tão diferente de um útero, um lugar de grande mistério e transformação.

Um lugar onde você pode sentar e assistir o universo e tudo que existe dentro dele. Ver, por esta luz, tudo como verdadeiramente é, sem rotular ou impor-se. Oh, você pode ser pragmático nesse lugar, sem dúvidas, mas o encanto é tal que você se importa mais com a verdade do que com qualquer outra coisa – e a verdade finalmente aparece nesse lugar, pois é o lugar perfeito para esperar por ela.

No interior do Arcanjo Gabriel, você vê tudo o que é de uma única vez – toda a história, pois o tempo não é um fator determinante em seu interior. Esse é um grande mistério. Mas na luz desse arcanjo, você pode conhecer a vida de todas as pessoas e seres, não apenas sentir, mas vivê-las também. Não que a vida dos outros se torne sua, mas cada momento está presente para você ver e conhecer. Essa luz é tal que tudo que aparece no tempo e espaço é iluminado por ela – tudo é visto, claramente, como se refletido em um espelho.

Eu sei que isso soa invasivo, parece tão ruim quanto soldados quebrando portas, ladrões subindo pelas janelas ou os sussurros de fantasmas assombrando a casa, mas nem tanto. Eu digo isso em relação ao caminho da Verdade, pois na Verdade não há nada que possa ser escondido, nenhum segredo sombrio. Essa luz é apenas o som da eternidade ecoando através do tempo e tocando tudo e todos.

Pegou a sensação dessa luz? Há muito mais, é claro, a sensação, isto é, o elemento – nesse caso – o Akasha.

E o Akasha é a sensação de penetrar em todos os lugares através do espaço-tempo – como se de todo o seu corpo irradia-se uma luz infinita que preenche o universo, e você acompanha essa luz, você também está dentro dela – seu corpo é tão vasto como qualquer momento. Não há bloqueios. Não há cercas. Não há limites – siga essa sensação, torne-se todos os lugares. Não há lugar onde você não possa ser chamado e aparecer.

Em resumo, o som com seu mar de luz, a cor que está sempre pronta para descobrir a Verdade, e a sensação de que seu corpo está sendo carregado por asas e livre para penetrar qualquer lugar. Estes três juntos são o mistério da letra cósmica E a partir da perspectiva da letra E no nome do Arcanjo Gabriel.

Á medida que aperfeiçoamos nossa concentração nesses três aspectos, o que pode levar uma vida inteira, podemos facilmente cumprimentar nossos amigos e os necessitados com uma luz brilhante e envolvente, da qual muitos comentam quando voltam de uma experiência de quase morte. Mas não precisamos morrer para encontrá-la ou esperar passivamente que ela encontre-nos. Ela já está aqui. Esperando em cada momento, para ser chamada e tornarmos um com ela – quem pode resistir a tal luz? A tamanha felicidade? Vamos incorporá-la agora mesmo.

Eu uso essas três concentrações de sentido para criar energia conforme convido o Arcanjo Gabriel para aparecer diante de mim. Como eu disse, isso é uma cortesia oferecida ao espírito como um lenço de seda é oferecido ao um guru, etc.

Se você não sabe o que dizer a um Arcanjo, você pode dizer: “Compartilhe conosco seu coração e seu ser”. O coração dele pode tornar-se um copo de visão que revela os mistérios, êxtases, curas ou caminhos específicos.


Autor: William Mistele
Tradução: Lucas Augusto

MISTELE, William. Gabriel. Disponível em: <http://williammistele.com/gabriel.html>. Acesso em 11/06/2018.

Grau I - O que é concentração?

Em termos de meditação, concentração é uma ação da mente aplicada a um objeto.

Mas isso são apenas palavras. Vamos fazer um exercício especifico para demonstrar na prática o que concentração “é”.

Faça esse exercício agora:

1. Com o dedo indicador da sua mão dominante, pressione-o suavemente contra uma superfície dura, como uma parede ou mesa. Você deve ser capaz de ver a carne sob a unha mudar de cor quando o sangue é empurrado para dentro dela.

2. Agora, faça a mesma coisa, exceto que usando a metade da energia, então você ainda está empurrando o dedo na superfície, mas ele não muda mais de cor.

3. Agora, faça a mesma coisa com um décimo de poder. Então, isso é agora apenas cinco por centro da força original que você estava usando. Continue aplicando essa força minúscula no seu dedo.

Nesse nível, o dedo não se moverá. No entanto, a ação da mente no dedo continuará. Você continuará a ação da mente, querendo que o dedo seja empurrado contra a mesa – mas com uma força incapaz de realmente movê-la. Isso é concentração.

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 “Pensamento” para “ação física” é um espectro. Os pensamentos cruzam um ponto no espectro e se tornam ações físicas. A maioria das pessoas costuma saltar do pensamento para a ação física em um passo binário. No entanto, como o exercício mostrou, você pode de fato se aproximar do ponto em que um pensamento se torna uma ação física e fica abaixo do pensamento - criando uma ação contínua da mente que é “sublimiar” para criar uma ação física real. Você pode continuar a criar essa ação mental por longos períodos. Isso é concentração.

Essa ação da mente ainda fará com que os nervos disparem no dedo apesar de não se mover. Esses impulsos nervosos podem ser percebidos como uma sensação de formigamento no tórax e no pescoço, onde os nervos que se ligam ao dedo se conectam à coluna. Ao continuar essa ação mental, ao mesmo tempo em que se torna consciente do formigamento, o formigamento pode se espalhar ao longo da espinha e tornar-se quente e prazeroso. De fato, realizar essa ação mental de aplicar força mínima ao dedo é capaz de produzir jhana¹. (Esta é de fato uma das maneiras em que os mudras² trabalham).

Para criar um jhana, você simplesmente precisa continuar a executar a ação mental de aplicar uma força mínima ao dedo até que ele se torne o pensamento dominante e você continue fazendo isso por períodos mais longos e ininterruptos de tempo (por exemplo, 5 segundos pensando apenas sobre o dedo, que é mais longo do que parece quando se trata de prática de concentração pura). Podemos chamar essa fase de “concentração inicial de acesso”³.

Enquanto isso, ao longo do tempo, os formigamentos quentes se espalhariam e se desenvolveriam e se tornariam perceptíveis como seu próprio objeto. Esse “objeto de prazer” então se uniria ao objeto primário (o dedo) e agora teríamos uma situação em que a concentração no dedo também criaria formigamentos agradáveis ​​e quentes em um único processo unificado. Podemos chamar isso de 'alta concentração de acesso' ou 'concentração de acesso em estágio avançado'. Neste ponto, você deve simplesmente continuar a pensar no dedo enquanto deixa os formigamentos quentes se acumularem até que atinjam um limiar, no ponto em que eles se “inflamam” e se tornam um jhana (geralmente com luz em erupção no campo visual).

Isso é muito especial, considerando que você está apenas empurrando o dedo em uma mesa. (Eu também não estou sugerindo que isso é “fácil”, mas é, no entanto, direto.) Ao tentar isso, você pode notar que a concentração é frágil e fina como papel. É frágil porque outros pensamentos tentam roubar sua atenção do seu dedo. É fina como um papel porque é preciso muito esforço mental para “mover o dedo sem mexer o dedo”. Este minúsculo ponto no espectro entre o pensamento e a ação física é muito fino. Mas permanecer nesse ponto é concentração.

Eventualmente, você também notará que a concentração em si, quando aplicada ao longo do tempo, se torna estável e organizada. Torna-se algo como um fluxo constante de atenção. Uma vez que você está chegando a este ponto, você fez algum progresso sério no cultivo da concentração.

Agora, você certamente perguntaria como pressionar um dedo em uma mesa é a mesma “ação” que colocar a consciência nas sensações de respiração do nariz. Pense nisso assim: você tem uma columela: o pedaço de cartilagem no final do nariz que separa as duas narinas. Você pode, agora mesmo, empurrar a columela para a frente (para que seu rosto se mova para frente, com a columela “guiando”)? Agora faça a metade da potência. Agora um décimo desse poder. Neste ponto, sua mente está empurrando sua columela para a frente, mas nenhum movimento físico está ocorrendo. Neste ponto, você pode dizer que está “descansando a atenção no fim do nariz”, exatamente como os budistas exigem! Agora, continue fazendo isso enquanto se deixa respirar. Você descobrirá que esta é, de fato, a mesma ação que “repousar sobre as sensações de respiração na columela”. Sua mente está agora naqueles nervos no final do seu nariz, exatamente onde eles precisam estar para respirar jhana. Continue essa ação mental por tanto tempo quanto puder e você terá uma séria chance de alcançar a respiração de jhana.

Então, isso é concentração. É uma ação mental sobre um objeto, abaixo do limiar de criação de uma ação física. Concentração sozinha causa jhana. O que é interessante, no entanto, é que a escolha do objeto “saboreia” o jhana de forma significativa. Assim, uma respiração jhana tem um sabor muito diferente de um dedo jhana (que é feito corretamente via mudras), ou um kasina jhana4, ou um metta jhana5, apesar de todos estes nascerem da concentração. A principal razão, creio eu, é que todos eles têm diferentes pontos de foco no corpo. A respiração jhana é feita no nariz, os mudras nas mãos, as kasinas tendem a focar no terceiro olho e a metta está no coração. Uma ação mental é aplicada nesses pontos, fazendo com que diferentes nervos nessas vizinhanças se ativem, já que a atenção tende a “sangrar” em nervos próximos.

Por exemplo, quando você descansa a atenção no fim do nariz, os arrepios nos nervos do nariz parecem 'sangrar' nos nervos vago e frênico (que se juntam ao tronco cerebral 'atrás' do nariz), dando estranhos e maravilhosos efeitos do corpo. Venho comentando sobre os nervos vagos em respiração jhana há algum tempo, pela seguinte razão: os nervos vagos inervam os ouvidos, o coração, os pulmões e o sistema digestivo. Respectivamente, isso explica os seguintes efeitos de jhana: zumbido nos ouvidos (o “som de jhana”); calor no peito e diminuição da frequência cardíaca; loop de feedback com os pulmões (o que significa que a respiração 'cria' o jhana ao lado da concentração); felicidade corporal. A respiração jhana tende a ser sedativa e eufórica devido a essa ação nos nervos vagos.
No entanto, repousando a atenção no terceiro olho - que é onde as pós-imagens da kasina tendem a ser colocadas, embora a observação do terceiro olho seja uma meditação em si - parece ativar a glândula pineal e os nervos ópticos. A concentração aqui será “aromatizada” com recursos visuais e terá uma qualidade onírica. A concentração de Mudra, por outro lado, tende a 'sangrar' a coluna, criando um estado estimulador e energizador, portanto, tende a ser associado ao trabalho de kriya yoga / energia.

Então, agora temos um modelo de trabalho do que “é” concentração e como aplicá-la em diferentes pontos cria diferentes estados alterados. Empurrar um dedo em uma mesa não é uma configuração ideal para a meditação, então, se você quiser continuar com esse tipo de “concentração dos dedos”, eu recomendo que você se sente adequadamente e adote o dhyana mudra, e desenvolva a concentração nos dois polegares. tocando levemente um ao outro. O princípio é o mesmo que com a mesa: toque os polegares juntos com uma força abaixo do limiar de criação de uma ação física. Você também pode pensar nos dois polegares simplesmente “descansando” um no outro, o que terá o mesmo efeito. Uma alternativa é gyan mudra: em cada mão, empurre a ponta do dedo indicador para dentro do polegar o mais suavemente que puder. Fique com essa ação mental, e isso é concentração. Concentre-se por tempo suficiente, e um estado alterado prazeroso surgirá. Não é mais complicado do que isso.



1. O uso da palavra “jhana” refere-se apenas aos samatha jhanas (os estados de meditação de concentração), a menos que especificado de outra forma. Os samatha jhanas são estados de absorção em um objeto.

Os estados são reconhecidos pela presença dos fatores jhana. Esses são:

A) One-pointedness: a mente é fixada apenas sobre o objeto e não surgem outros pensamentos (ekaggata).
B) Intenso prazer ou arrebatamento (piti).
C) Felicidade profunda ou felicidade (sukkha). Equanimidade
S) imperturbável (upekkha).
2. Uma pose de mão. Mudras criam diferentes padrões de fluxo de energia que podem ser utilizados pelo meditador de maneiras específicas. Mudras também alteram as percepções - por exemplo, as palmas abertas para cima criam uma sensação de abertura ou receptividade.

Você já está familiarizado com alguns “mudras” da linguagem corporal humana padrão, como um dedo apontando para criar uma consciência de julgamento direcionada a um alvo. Os mudras da yoga, no entanto, são intencionais e refinados.

3. Na meditação de concentração (samadhi; samatha jhanas), a concentração de acesso é o estado ou habilidade de ter sua atenção em seu objeto. A entrada para acessar a concentração tende a ser marcada por um súbito desaparecimento de pensamentos, um aumento no 'espaço' mental e um surgimento de emoções positivas, como prazer, felicidade e gratidão. A concentração de acesso precede imediatamente o surgimento do primeiro jhana; deve-se simplesmente ficar com o objeto e o primeiro jhana surgirá.

4.  Um objeto externo focado na meditação de concentração, como um disco colorido ou uma chama de vela. Às vezes, os praticantes fecham os olhos depois de olhar para esse objeto por algum tempo, para que possam ver uma imagem posterior do objeto queimado em sua retina. Essa pós-imagem é então focada em que ela pode se transformar em objetos feitos pela mente, geralmente com efeitos bastante espetaculares. Um exemplo de tal prática é a minha meditação do iPhone Lanterna Afterimage Kasina.
5. Meditação budista da bondade amorosa. Metta é capaz de produzir jhana.

BIBLIOGRAFIA

ILLUMINATUS. What Is Concentration? Tradução de Lucas Augusto. Disponível em: < http://www.personalpowermeditation.com/what-is-concentration/>. Acesso em 26/08/2018

Grau II - O Centro da Meditação Estática

 Por Rawn Clark



Na natureza da consciência humana existe a necessidade de particularizar, definir e limitar algo para poder entendê-lo. Em nome da ciência, nós dissecamos o sapo em experimentos, com a esperança de compreendê-lo, ignorando o fato de que nós o matamos no processo e estamos examinando uma coisa morta. O erro em que nós caímos é a negligência. Nós não estamos querendo reintegrar nosso começo de entendimento de volta no “todo” orgânico de onde nós o tiramos. Ao invés de levarmos o sapo no laboratório, nós temos também a opção de levarmos nosso laboratório ao sapo, e observá-lo em seu ambiente natural, com sua vida intacta.

O nosso ambiente natural é o Universo Infinito, no qual nós humanos existimos através de um largo espectro de vibração. Nós experimentamos uma ponta deste espectro através de nossos pensamentos mais sublimes; e a outra ponta, através da realidade física de nossos corpos. O reino entre estes dois polos, que personaliza e conecta nossos pensamentos ao nosso corpo físico, é o nosso campo de experiência emocional. Esses níveis da vibração humana foram definidos como “espírito” (corpo mental, reino do pensamento), “alma” (corpo astral, reino das emoções), e “físico” (corpo físico, reino da sensação). No entanto, devemos entender que estas divisões são arbitrárias, construções humanas, porque não existe nenhum lugar onde um grau de vibração se separa do seguinte a ele.

A nossa experiência no nível físico é solitária. Nós vivemos como seres separados, dentro de um Universo repleto de outros seres solitários. Por trás de todos esses níveis de vibração, está Aquele que Vibra, o Eu Único do qual somos uma expressão. É esta “fábrica básica” que chama por nós em nossa solitariedade física e nos lembra da verdade central que estamos todos conectados de algum modo.

Toda a existência humana é uma dança entre nossa experiência solitária e a nossa necessidade primordial de conexão. Um dos grandes paradoxos do Universo, é que é a nossa própria existência física que nos cega quanto ao nível que estamos conectados. O mundo físico cativa tanto a nossa consciência que nós raramente ficamos cientes de que ha além: portanto, é apenas através do lançamento de nossa consciência além deste mundo físico, apenas tirando nossa atenção dele e nós focarmos em nosso interior é que poderemos experienciar os níveis mais profundos do Eu e tocar nossa Unidade primordial.

A barreira principal então, para uma experiência consciente do nosso Eu superior, é que os nossos sentidos físicos devoram grande parte da nossa atenção. Essa é uma consequência natural de uma existência física, e não pode ser julgada em termos de boa ou ruim. Simplesmente é. Os sentidos podem ser vistos ou como um magnífico e extraordinário presente de um Universo Benigno, cujo o único propósito é nos dar as faculdades necessárias para a vida física; ou como uma obrigação do mal, a qual estamos condenados a sofrer e batalhar. A técnica de meditação adiante é baseada na primeira opção acima e desenvolve um controle não apto a julgamento sobre os nossos sentidos.

Cada um de nós tem uma capacidade inerente a negar os sentidos. Enquanto você esteve lendo isso, os seus sentidos de audição, do ofato, do paladar, e do tato não estiveram reduzidos já que sua atenção estava focada em ver, sentir emocionalmente, e pensar racionalmente sobre essas palavras? Isto é apenas um exemplo de como nós subconscientemente selecionamos um ou dois sentidos sobre os outros. O ingrediente ativo aqui é a atenção, ou consciência, e é esta chave que a técnica do Centro da Meditação Estática utiliza no seu treinamento de negação consciente dos sentidos. Através do desenvolvimento de que nós fazemos um milhão de vezes por dia inconscientemente, o CME trás isso a um nível de uma faculdade consciente.

A habilidade de negar os sentidos a vontade, leva esforço e persistência para se obter; especialmente com alguma consistência. Mas mesmo com o primeiro breve momento de separação dos sentidos, vem uma familiaridade com o Centro Estático, aquele Silêncio Primordial que todos nós conhecemos em nossos ossos. Quando este Silêncio Primordial for experimentado, a questão do esforço torna-se irrelevante em luz das excitantes possibilidades percebidas nele. O subsequente refinamento do controle sobre os sentidos passa rapidamente depois disso, e os reinos interiores abrem-se.

O primeiro reino a se abrir é o da personalidade. No CME, isto é visualizado como uma teia de fibras luminosas, na qual cada um de nós roda dentro da corrente do tempo-espaço. Este é o nível no qual nós colocamos nossos Eus dentro de um contexto de quando e onde estamos, e nós nos ligamos a expressão física. A personalidade é nossa criação, uma cuja a criação ocorre inconscientemente e com qual sentimos poucos poder.

Como com o nosso poder de negar os sentidos, nós também temos uma habilidade inerente de moldar nossa personalidade. Lembre da sua adolescência, quando a “pressão do par” era o “cata vento” de quem você escolheu ser (ao menos até certo ponto); uma época de tentar diversas diferentes máscaras e escolher a que nos faziam sentir seguro, ou melhor ainda, escolher a que era “certa” para nós. Quando você foi crescendo e se tornando adulto, você não descartou certas máscaras por outras novas? Cada um de nós tem experiencias em mudar hábitos ruins, ou pequenas e incômodas peculiaridades, para melhor se adequarem em nossas vidas. Os músculos que nós usamos em nosso inconsciente, selecionando quais sentidos negar, são os mesmos que nós usamos na transformação inconsciente de nossas personalidades. O CME exercita esses músculos sobre a personalidade, e você aprende a conscientemente moldá-la, tecendo-a de uma nova maneira em uma expressão mais clara de quem você é e quer ser.

As experiências com a personalidade invariavelmente levam a pessoa a estar ciente de que há um Eu que está experienciando sua essência, que seria o “Agente”, o Moldador. Este é o próximo nível a se abrir, o nível do Eu Individual, o Eu Que Age. Nós normalmente experienciamos este aspecto do Eu através de emoções muito fortes, ou intuições, de que há um certo caminho que devemos seguir. Provavelmente as mais dramáticas experiências de sua vida foram acompanhadas pelo claro conhecimento de quem você é em sua essência. Esta é a sua Individualidade; seu Eu percebendo a si mesmo como um autônomo, indivíduo único. É a Individualidade que projeta e molda a teia de sua personalidade, e consequentemente manifesta-se fisicamente em um corpo; ou pondo de outro modo, a personalidade e o corpo físico são os veículos do Eu Individual.

No CME, o nível de Eu Individual é visualizado como um Sol com os aspectos da personalidade e do corpo físico orbitando ao seu redor como no Sistema Solar. Este Sol existe num Universo Infinito, repleto de outros Eus Individuais, outros sistemas solares, outras estrelas no céu a noite. Da perspectiva do Eu Individual, ele olha “para baixo” para a personalidade e o corpo, empunhando-os como ferramentas mágicas na expressão clara do propósito da Individualidade. Como com os sentidos e a personalidade, o CME pega outrora inconsciente processo natural e torna-o uma faculdade consciente integrada. A pessoa aprende a agir poderosamente e diretamente no Universo como um Individuo igualmente importante.

Com o amadurecimento do Eu Individual ele aprende a se expressar mais claramente, o poder de sua finalidade essencial se mostrará. O conhecimento, e mais importantemente, a experiência, de que tudo está interconectado e a da Fonte Única, começará a se cristalizar. Lentamente, a pessoa é levado a Grande Transformação, que vem com o abrimento do próximo nível do Eu, o do Grande Eu.

O Grande Eu é o primeiro nível  no qual nós realmente experimentamos a interconexão. O Grande Eu existe além do “espaço-tempo-significado” (que é a fundação do espaço-tempo), manifestando incontáveis Individualidades (e consequentemente personalidades, e corpos físicos) dentro da sua corrente. Já que palavras são construções do espaço-tempo, torna-se impossível descrever claramente tal reino, apenas poesia e misticismo podem aproximar uma expressão dele, portanto minhas palavras devem ser tomadas como símbolos, cheias de significado. Dito isto, eu o descreveria como um útero, do qual emergimos como Indivíduos focos de consciência. Mesmo assim, existem inúmeros (um infinito número de?) Grandes Eus, moldando sua prole no rio da existência; portanto isto claramente não é a Máxima Conectividade que chama por nós. Tal conexão vem apenas como consciência do Eu Único, o Eu do qual todos somos iguais centros de expressão. Essa é a Máxima União com Tudo e com o Todo, o objetivo final do CME.


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#10 - Malkuth: Corpo
#09 - Yesod: Personalidade (instinto)
#08 - Hod: Personalidade (mente racional)
#07 - Netzach: Personalidade (Baixas Emoções)
#06 - Tiphareth: Individualidade (essência)
#05 - Geburah: Individualidade (força de vontade)
#04 - Gedulah: Individualidade (altas emoções)
#03 - Binah: Grande Eu (Entendimento)
#02 - Chokmah: Grande Eu (Sabedoria)
#01 - Kether: O Eu Único

CLARK, Rawn. O Centro da Meditação Estática. Disponível em: <http://www.abardoncompanion.com/ViewerJS/#../pdf/CSM-pt.pdf>. Acesso em 08/08/2018.

Por que há espíritos negativos?

evolução espititual, espiritismo
Muitas pessoas perguntam por que há tantos espíritos desencarnados apegados ao plano físico ou envolvidos em tramas de assédio extrafísico. A explicação para isso é das mais simples: a morte não muda ninguém! O desencarnado de hoje é aquele mesmo que estava encarnado ontem. Extrafisicamente, ele é o reflexo exato daquilo que manifestava no plano físico.

A morte não transforma a pessoa tacanha em “gênio do além” e nem o desequilibrado emocional em anjo sideral. A pessoa é, após a morte, literalmente a mesma que era antes de desencarnar. Nem mais, nem menos: ela é a mesma consciência, com os mesmos pensamentos e desejos de antes; somente foi finalmente ejetada para fora do corpo. É apenas pura causa e efeito: se é após a morte o que se foi em vida terrestre.

Para entendermos bem a mecânica desse processo, é só observarmos o que a maioria das pessoas buscam na existência terrestre. Se a criatura busca desejos baixos na vida, o seu corpo espiritual* também vai manifestar energias de baixo nível. É por isso que encontramos tantos desencarnados em estado lastimável após a morte: já eram lastimáveis em vida, pois buscavam objetivos grosseiros. 

Como dizia o grande Léon Denis: “A morte não nos muda e, no além, somos apenas o que nos tornamos neste mundo. Daí a inferioridade de tantos seres desencarnados.”

Há muitos relatos antigos se referindo à influência nefasta dos espíritos negativos sobre as pessoas. Dependendo da época, do povo e da cultura vigente, a denominação desses espíritos variava: espíritos trevosos, almas penadas, fantasmas, espíritos inferiores, espíritos apegados, espectros malignos, demônios, e outros.

Paulo de Tarso (? - 67), o grande apóstolo cristão, sabia bastante sobre a ação desses espíritos infelizes, pois sofreu muitos assédios espirituais durante sua missão de espalhar os ideais cristãos. Por isso, ele escreveu o seguinte:
“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.”
(Paulo de Tarso, Efésios, cap. 6: vers. 12).


Porfírio, grande iniciado espiritualista da antiguidade, também se referiu ao assunto:
“A alma, mesmo depois da morte física, permanece ligada ao corpo por estranha ternura e uma a afinidade tanto maior quanto mais bruscamente essa essência houver sido separada de seu envoltório; vemos almas em grande número voltear, desorientadas, em redor dos seus restos terrestres. Ainda mais, vemo-las procurar com diligência os despojos de cadáveres estranhos e, acima de tudo, o sangue fresco derramado, cujo vapor parece restituir-lhes, por alguns instantes, certas faculdades da vida. Assim, os feiticeiros abusam dessa noção no exercício de sua arte. Nenhum ignora como evocar, à força, as almas, obrigando-as a aparecer, seja agindo sobre os restos do corpo que deixaram, seja invocando-as no vapor do sangue derramado.”
(Porfírio, Dês Sacrices, cap.II).


Paracelso (pseud. de Teophrastus Bombastus Von Hohenheim; 1490-1541), o grande alquimista e ocultista do século XVI, escreveu o seguinte:

“Vamos conhecer agora a maneira como os espíritos podem nos prejudicar. Se desejamos com toda a nossa vontade (plena voluntas) o mal de outra pessoa, essa vontade que está em nós acaba conseguindo uma verdadeira criação no espírito, impelindo-o a lutar contra o lado da pessoa que queremos ferir. Então, se esse espírito é perverso (mesmo que o corpo correspondente não seja), acaba deixando nele (no corpo) uma marca de pena ou sofrimento, de natureza espiritual em sua origem, ainda que seja corporal em algumas de suas manifestações.
Quando os espíritos travam essas lutas, acaba vencendo aquele que pôs mais ardor e veemência no combate. Segundo essa teoria, devem compreender que em tais contendas se produzirão feridas e outras doenças não corporais. Por conseguinte, toda uma série de padecimentos do corpo pode começar desta maneira, desenvolvendo-se em seguida conforme a substância espiritual.”
(Paracelso; “A chave da Alquimia”; p. 129; Editora Três).

A partir do surgimento do Espiritismo, com Allan Kardec (pseudônimo de Leon Hypolite Denizard Rivail; 1804-1869) e o “Livro dos Espíritos” (França; 1857), esses espíritos negativos passaram a ser denominados de obsessores espirituais ou de espíritos atrasados.

Na verdade, esses espíritos deveriam ser denominados de enfermos extrafísicos, pois o seu desequilíbrio é tão grande que os leva à obsessão e a loucuras espirituais. Infelizmente, o seu desequilíbrio acaba levando-os a se anexarem nas auras** das vítimas incautas que os atraem devido à sintonia espiritual, mental, emocional ou energética que manifestam. Nesse ponto, não custa nada lembrarmos do velho axioma espiritualista: “semelhante atrai semelhante”.

Considerando as dificuldades dos espíritos ligados à Terra, podemos classifica-las em:

1. Apego psicológico;
2. Apego energético;
3. Apego psicológico e energético.
As causas disso podem ser variadas. O ótimo pesquisador inglês Robert Crookall*** (1890-1982) classificou-as da seguinte maneira:
a) A atenção desses espíritos continua dirigida para as questões físicas;
b) Prevalece neles a necessidade de sensações grosseiras;
c) As suas repetidas afirmações, atuando como sugestões pós-hipnóticas, de que não há outro mundo além do físico tornam difícil para eles aceitarem a existência de algo além da morte;
d) Alguns desses espíritos são turrões por causa de sua absoluta estupidez, obstinação e desinteresse em aprender;
e) Falta de determinação para seguir em frente, rumo aos planos espirituais superiores.

Podemos acrescentar, ainda, mais duas situações que desequilibram muitos espíritos:
– corpo espiritual muito denso por causa do desequilíbrio espiritual, mental, emocional ou energético durante a vida física;
– energias remanescentes do duplo etérico (campo energético do corpo humano****) aderidas no corpo espiritual, mantendo-o, então, bastante denso e apegado energeticamente ao plano físico.

Em vista de tudo isso, para que manifestemos um bom nível de consciência na vida e possamos estar protegidos de influências espirituais negativas, é necessário que direcionemos os nossos esforços na aquisição de quatro coisas imprescindíveis na vida:

1. DISCERNIMENTO NA MENTE: para entendermos as coisas e buscarmos objetivos claros. Nesse aspecto, a leitura espiritualista, a meditação e a reflexão serena são aliados maravilhosos na nossa caminhada terrena.

2. COMPAIXÃO NO CORAÇÃO: para compreendermos os outros e ajudarmos a todos. Perdão, paciência e boa vontade são palavras de ordem para quem quer ser útil à vida. Contudo, sabemos na prática como é difícil ser assim. Mas sabemos também que estamos aprendendo e evoluindo. O próprio fato de estarmos estudando esses assuntos já é um bom passo na direção da melhoria de nós todos.

3. ENERGIAS SALUTARES NA AURA: para irradiarmos Luz para o mundo e expressarmos a plenitude de nossas capacidades anímico-mediúnicas na vida. Precisamos ter uma aura forte, limpa, colorida e chacras vibrantes*****.

4. ELEVADO NÍVEL DE ÉTICA (COSMOÉTICA): para que não julguemos, e tampouco condenemos os outros. A técnica de como fazer isso é simples: se observarmos os nossos defeitos com mais atenção e menos orgulho, sem dúvida não nos sobrará tempo para observarmos os erros dos outros. Precisamos prestar atenção nas coisas que são positivas. Quantos às que são negativas, vejamos o conselho do bom amigo espiritual André Luiz: “Sigamos o que for correto e sensato. O que não for, tenhamos paciência e compreensão, sabendo que a providência divina é magnânima e, no devido momento, impulsionará na direção certa a tudo e a todos, para o Bem Maior!

BIBLIOGRAFIA
Texto extraído do livro “Viagem Espiritual – A Projeção da Consciência” – Editora Luz da Serra – 2017.
NOTAS

* Corpo espiritual - Cristianismo - Cor. I, cap. 15, vers. 44.
Sinonímias: Corpo astral - do latim, astrum - estrelado - expressão usada pelo grande iniciado alquimista Paracelso, no séc. 16, na Europa, e por diversos ocultistas e teosofistas posteriormente.
Perispírito - Espiritismo - Allan Kardec, séc. 19, na França.
Corpo de luz – Ocultismo.
Psicossoma - do grego, psique - alma; e soma, corpo. Significa literalmente "corpo da alma" - Expressão usada inicialmente pelo espírito André Luiz nas obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier e por Waldo Vieira, nas décadas de 1950-1960, atualmente mais usada pelos estudantes de Projeciologia.

** Aura – do latim, aura - sopro de ar – halo luminoso de distintas cores que envolve o corpo físico e que reflete, energeticamente, o que o indivíduo pensa, sente e vivencia no seu mundo íntimo; psicosfera; campo energético.

*** Robert Crookall é autor de várias obras sobre as experiências fora do corpo, publicadas na Inglaterra e na América do Norte.

**** Duplo etérico – É um campo energético bastante densificado através do qual o psicossoma se une ao corpo físico. É uma zona intermediária pela qual passam as correntes energéticas que mantêm o corpo humano vivo. Sem essa zona intermediária, a consciência não poderia utilizar as células de seu cérebro físico, pois as emanações do pensamento, oriundas do seu corpo mental, e as emanações emocionais, oriundas do seu psicossoma, não teriam acesso à matéria física.
Obs.: Ver o artigo “Diferenças Entre o Psicossoma e o Duplo Etérico”: http://www.ippb.org.br/bioenergia/duplo-eterico-x-psicossoma

***** Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e que têm como função principal a absorção de energia - prana, chi - do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico. Os principais chacras são sete – que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico.
Obs.: Ver o texto “Chacras e Cura Psíquica - II”: http://www.ippb.org.br/bioenergia/chacras-e-cura-psiquica-iiE, para mais informações detalhadas sobre bioenergia, aura e chacras, ver a seção específica no site do IPPB, no seguinte link: http://www.ippb.org.br/bioenergia.

O Diário Mágico

INTRODUÇÃO

Muitas pessoas não sabem como fazer um diário mágico ou não sabem o que escrever nele ou não sabem da importância de mantê-lo – eu mesmo desconhecia todos esses três pontos antigamente. Portanto, este artigo dissertará sobre a importância do diário mágico ou como também é conhecido: The Books of Shadows (O Livro das Sombras). Basicamente, o diário mágico é um registro da sua vida, mas não apenas em termos biográficos, ele possui suas observações, seus aprendizados, seus diálogos em evocações, seus sonhos, seus treinamentos, e até mesmo sua arte.



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 O QUE DEVE SER REGISTRADO NO DIÁRIO?

O único limite para o que deve ou não deve ser registrado no diário mágico é a sua criatividade e opinião pessoal. Você pode ter um diário formal apenas para registros sobre os seus sonhos, e outro geral com figuras, colagens, desenhos, estudos: o que VOCÊ achar necessário para a sua aprendizagem, desenvolvimento e posterior consulta. O diário pode ser tanto físico quanto digital, mas na segunda opção ele deve ser mantido em nuvem e privado: o diário mágico possui todas as suas fraquezas (você deve ser sincero nele), portanto pode ser explorado para ataques astrais.

Segue abaixo o que Veos diz sobre o diário mágico.

Nos primeiros anos de meu treinamento, eu era obcecado em manter o diário das minhas práticas mais detalhadas que eu pudesse. Eu tenho uma caixa cheia de diários desse período. Nesse ponto no meu treinamento, eles me ajudaram imensamente. Eu não tinha professor encarnado em quem me apoiar, e ninguém para me repreender sobre práticas que eu não havia feito ou me ensinar sobre as armadilhas de várias técnicas. Assim, mantendo um diário detalhado, eu fui capaz de ver como tudo na minha vida era afetado pelo treinamento mágico, e como, em dias em que eu tirava uma “nota baixa”, havia tendências no que eu fazia durante o dia fora do treinamento, e da mesma maneira em dias nos quais eu tirava uma “nota alta”. Dessa maneira eu fui capaz de ver ciclos, ao ponto que notei que em dias diferentes do ciclo lunar eu tiraria mais ou menos a mesma nota, e era capaz de determinar o forte efeito da lua no trabalho espiritual. Eu era muito severo comigo mesmo se perdia um dia que fosse, e me puniria de acordo fazendo jejum das coisas que gostava.

Era comum para eu fazer uma tabela e classificar meu sucesso em minhas práticas em três modos:
1) ao fim de cada dia eu classificaria o sucesso das práticas
2) ao fim de cada semana eu classificaria o sucesso e a consistência das práticas
3) ao fim de cada mês eu avaliaria o meu progresso geral naquele mês.

Descobri que o uso de números era de grande ajuda. A conta era simples. Se, no fim do mês, depois de adicionar todos os números, eu tinha uma nota final alta, então eu havia feito um bom progresso aquele mês. Se eu tirei uma nota baixa, eu sabia que precisava trabalhar com mais esforço e ajustar a minha vida para ajudar mais o meu treinamento mágico. Descobri que essa ideia era geralmente verdadeira e funcionou para o meu benefício de uma maneira prática.

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 Eu não mais mantenho um relato diário das minhas práticas. Depois de alguns anos descobri que, ao entrar em níveis mais profundos em minhas meditações, o sucesso naqueles dias era menos em relação aos resultados e mais à quanta “limpeza espiritual” eu havia executado. Os dias nos quais o treinamento mágico era mais difícil eram os melhores dias. Quando escrevia num diário, eu julgava as minhas práticas do ponto de vista da paz e da serenidade sentidas posteriormente durante o dia. Geralmente, contudo, eu mantenho apenas dois diários importantes para um mago: o diário detalhando todas as conversações com espíritos, e o diário detalhando todo trabalho ritual e seus efeitos.

POR QUE TER E MANTER UM DIÁRIO MÁGICO ATUALIZADO?

A memória física é falha – a não ser que você tenha memória eidética – registrar o que você aprendeu e experienciou terá uma importância sem precedentes futuramente. Ao colocar no papel – o ato devidamente de registrar – você passa a compreender melhor a experiência que acabou de passar, pois, para escrever é necessário fazer um resumo geral e reviver o dia ou a experiência que você está registrando. 

diário, diário mágico, book of shadows É uma forma de ter um melhor controle sobre o treinamento: você identifica em quais pontos você não está se esforçando o suficiente ou em quais pontos você deixou de treinar diversas vezes. Em uma entrevista, Terry Crews revelou que durante o desenvolvimento dos seus músculos, ele frequentemente parava para observar se algum músculo do corpo estava mal desenvolvido para então focar nele, é isto que o diário mágico provê: uma observação ampla de si mesmo. 

Você observará, com o passar dos tempo e com os registros, que você não apenas se transformou, mas mudou de opinião muitas, que um sonho sobre um anjo talvez tenha sido influenciado por uma linda estátua angelical que você viu e se impressionou quando passou na frente de um museu. E em outros casos, que o sonho não teve influência alguma externa e que seus símbolos surgiram como um conselho, um aviso ou até mesmo como um sinal de mal desenvolvimento ou de “continue firme!”. 

Perceberá que algumas projeções astrais não foram projeções astrais de fato, e sim sonhos intensos, porque anotará o quão intensa e verdadeiramente transformadora é uma projeção astral real – inconfundível - quando acontecer de fato.

“O diário mágico te possibilidade enxergar todas as influências que te afetam.” – Martin Faulks.

O diário mágico te coloca no seu lugar: revela o limite das suas habilidades, do seu pensamento e do seu treinamento, ao perceber a causa e efeito de todas as suas ações, você compreende o quão limitado é a perspectiva de um único momento da vida, pois no diário mágico está registrado a perspectiva de meses, anos e décadas: você percebe o seu crescimento, de um bebê para um Magista e de um Magista para um Mago. O diário mágico forma os neurônios da mente total que compõe sua jornada, ao reler o diário mágico você viaja, não apenas por memórias, mas por sensações e experiências que teve, e com um novo amadurecimento, com uma nova visão você pode compreender coisas que não compreendeu naquele tempo e até mesmo rir do que pensou ter compreendido e que não passou de puro orgulho e infantilidade.

“O diário mágico amplifica suas estratégias e abordagens que são efetivas e descarta aquelas que não são.” – Martin Faulks.

FORMATO

Não existe um padrão para o diário mágico, mas o formato básico deve possuir alguns pontos essenciais:

Sol em (signo em que o Sol está no momento) Lua em (signo em que a Lua está no momento).

Ou seja:



Se o Magista acreditar que seja necessário, pode colocar o mapa astral completo do local de onde está escrevendo no momento. 

Para fazer o mapa astral do céu no momento: https://www.astro.com/


Isso é feito para futuramente, ao analisar todo o diário, observar se os astros influenciaram algum acontecimento interior ou exterior – que tenha impactado no treinamento, nos sonhos ou na vida mundana. Nas evocações, ajuda a perceber se os astros influenciaram negativamente ou positivamente a evocação, pois sabemos que as evocações respondem melhor a determinados transes astrológicos.


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 E nas palavras de Franz Bardon...

Seus sucessos, fracassos, tempos de duração dos exercícios e eventuais perturbações deverão ser anotados cuidadosamente num diário mágico. Esse diário servirá para o controle pessoal de sua escalada. Quanto mais consciencioso você for na consecução dos exercícios aqui descritos, tanto melhor será a sua assimilação dos restantes. Elabore um plano preciso de trabalho para a semana entrante ou para o dia seguinte. E principalmente, cultive a autocrítica.

Adote um diário mágico a tome nota de todas as facetas negativas de sua alma. Esse diário deve ser de seu use exclusivo a não deve ser mostrado a ninguém; é um assim chamado livro de controle, só seu. No autocontrole de seus defeitos, hábitos, paixões, impulsos a outros traços desagradáveis de caráter, você deve ser rígido e duro consigo mesmo. Não seja condescendente consigo próprio, não tente embelezar nenhum de seus defeitos a deficiências. Medite a reflita sobre si mesmo, desloque-se a diversas situações do passado para lembrar como você se comportou aqui ou ali, quais os defeitos a deficiências que surgiram nessa ou naquela situação. Tome nota de todas as suas fraquezas, nas suas nuances a variações mais sutis. 

Quanto mais você descobrir, tanto melhor. Nada deve permanecer oculto ou velado, quer sejam defeitos a fraquezas mais evidentes ou mais sutis. Aprendizes especialmente dotados conseguiam descobrir centenas de defeitos nos matizes mais tênues; dispunham de uma boa capacidade de meditação a de penetração profunda na própria alma. Lave a sua alma até que se purifique, dê uma boa varrida em todo o seu lixo. Essa autoanálise é um dos trabalhos mágicos prévios mais importantes. Muitos sistemas ocultos negligenciam-no, a por isso também têm pouco sucesso. Esse trabalho prévio na alma é a coisa mais importante para o equilíbrio mágico, pois sem ele não há possibilidade de uma escalada regular nessa evolução. 

Devemos dedicar alguns minutos de nosso tempo, na parte da manhã a também à noitinha, ao exercício de nossa autocrítica. Dedique-lhe também alguns instantes livres de seu dia; use esse tempo para refletir intensamente se ainda há alguns defeitos escondidos, a ao descobri-los coloque-os imediatamente no papel, para que nenhum deles fique esquecido. Sempre que topar com algum defeito, "Não hesite, anote-o imediatamente!

Bons Treinos!

BIBLIOGRAFIA

BARDON, Franz: Magia Prática: O Caminho do Adepto; um curso em dez etapas teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Ground, 2007.

Grau I - A Barreira da Compreensão

Compreender: abarcar em si mesmo; carregar em sua essência; incluir ou abranger-se; ampliar o seu desenvolvimento.

Esta é uma barreira que está em todos os exercícios de todos os Graus, é extremamente sutil fazendo com que sua existência seja notada quando o Magista ultrapassou alguns Graus, o que o faz retornar e revisar não apenas os exercícios básicos, mas principalmente o conteúdo de sua consciência. Esta barreira não necessariamente impede o desenvolvimento nos primeiros Graus, mas a cada exercício que ela é ignorada, se torna cada vez mais densa até ser impossível não a notar, até ser impossível avançar, pois determinados Graus requerem uma consciência firme e bem estabelecida, portanto este texto irá se ater aos ensinamentos dos exercícios. Porque os ensinamentos? pois bem... "eu vou te contar o segredo definitivo da magia: qualquer babaca pode fazê-la." Temos que nos ater ao desenvolvimento da consciência.

Grau I

OBSERVAR, CONCENTRAR E ESVAZIAR

A primeira coisa a ser dita sobre os exercícios mentais do Grau I é que todos os três são atos de desapego. Observar os próprios pensamentos é desapegar-se deles, concentrar por longos períodos é permitir que tudo aquilo requer nossa atenção, na verdade, parta. E esvaziar é literalmente esvaziar: de todas as opiniões, conhecimentos, experiências, sentimentos, desejos: o absoluto vácuo - em Kether não há livros, opiniões, formas ou experiências, apenas um vazio acolhedor.

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Para conseguir observar os próprios pensamentos e quebrar o encanto que eles exercem sobre a nossa atenção, é necessário compreender que os pensamentos não são o pensador, ao conseguir observar os pensamentos por longos períodos isso se torna claro: eles vêm de algum lugar, alguns são gerados espontaneamente, outros não e cada tipo de pensamento vem de um lugar diferente. Alguns são puros e carregam um propósito que se absorvido ajuda no desenvolvimento da compreensão e do conhecimento, outros – a maioria – desejam atenção ou causar algum tipo de dor. Ao conseguir observá-los por no mínimo dez minutos você quebra boa parte do poder que os pensamentos exercem sobre você. Quando você percebe, naturalmente, que o ato de observar se tornou inerente a sua natureza você começa a observar a mente externa – o Todo é mental – os atos positivos e negativos das pessoas ao seu redor, e a partir disso  aprende também com os erros dos outros.

Concentração (concentrar a ação), esta é a principal habilidade da Magia Mental, sua energia está onde sua atenção está, experimente se concentrar profundamente na ponta do dedo indicador, olhe-o fixamente com todas as suas forças, a sensibilidade na ponta do dedo irá aumentar e você sentirá um pouco de formigamento. Ao pensar em dezenas de coisas por minuto e milhares por dia, perdemos muita energia mental. Nossa cabeça nunca está no crânio, e sim noutro lugar ou com outra pessoa. Uma das maiores compreensões deste exercício é a percepção do presente: você realmente enxerga as nuvens no céu? Você realmente está presente quando conversa com alguém? Este exercício, aos poucos, traz a consciência para a sua residência natural: o agora. O que desperta grandes quantidades de energia que outrora eram gastas com ilusões passadas ou futuras, a absorção do que é observado também aumenta gradativamente, porque agora, além de observar com desprendimento, você se concentra no objeto observado. Uma certa graça se desenvolve, uma alegria natural com uma enorme exatidão de atos.

Estar em vácuo mental é estar absolutamente ciente de si mesmo, isso pode soar confuso para aqueles que nunca estiverem neste estado, mas é a primeira compreensão deste estado. Um efeito interessante deste exerício é que se você estiver passando por alguma dor emocional e conseguir entrar em vácuo mental, a dor simplesmente some assim como as emoções que a geravam. Para atravessar o portal que leva ao vácuo mental é necessário se despir de tudo aquilo que você sente, acha que sabe ou tem certeza que sabe, no início a concentração é usada para adentrar neste estado, mas conforme o vácuo mental é estabelecido ocorre uma maciez cerebral, toda a tensão é liberada. E se na observação o aprendizado é que você não é o pensamento, na concentração o realinhamento da energia mental, no vácuo mental compreendemos que nossa natureza é o vazio germinador, a causa inicial de tudo o que pode vir a ser. Estar e dominar o vácuo mental é controlar as reações de nossas ações, sejam elas mentais ou físicas.

AUTOCONHECIMENTO OU INTROSPECÇÃO 

Não apenas olhar, mas reconhecer o abismo interior.

Os Outros por Neil Gaiman

“O tempo é fluído aqui,” disse o demônio. Ele sabia que era um demônio no momento em que o havia visto. Ele apenas sabia, do mesmo jeito que ele sabia que aquilo era o inferno. Não havia nenhuma outra coisa que cada um deles pudesse ser.
O salão era amplo, e o demônio esperava próximo de um braseiro fumegante bem ao fim. Havia uma variedade de objetos pendendo nas paredes de granito, objetos cuja inspeção mais detalhada não seria algo sábio, e tão pouco reconfortante. O teto era baixo, o chão, estranhamente irreal.

 “Aproxime-se”, disse o demônio, e ele o fez. O demônio era magro como uma vara e estava nú. Ele tinha muitas cicatrizes, parecia ter sido esfolado em algum momento num passado distante. Não tinha orelhas nem genitais. Os seus lábios eram finos e ascéticos, e os olhos eram olhos de demônio: tinham visto demais e ido muito longe, e frente ao seu olhar ele se sentiu menor que uma mosca.

“O que acontece agora?”, ele perguntou.

“Agora”, disse o demônio, numa voz sem nenhum pesar, nenhum deleite, apenas uma terrível e monótona resignação, “você será torturado”.

 “Por quanto tempo?”

Mas o demônio sacudiu a cabeça e não respondeu nada. Ele caminhou vagarosamente ao longo da parede, observando um e outro utensílio ali pendurados. Bem ao fim da parede, próximo a porta fechada, havia um açoite feito de arame entrelaçado. O demônio o pegou com sua mão de três dedos e andou de volta, carregando-o reverentemente. Ele posicionou as pontas do arame acima do braseiro, e as observou fixamente enquanto elas começavam a se aquecer.

“Isso é inumano”.

“Sim.”

As pontas do açoite brilhavam num laranja fosco.
Ao levantar o braço para a primeira arremetida, ele disse, “Mais adiante você se lembrará até deste momento com carinho”.

“Você é um mentiroso.”

 “Não”, disse o demônio. “A próxima parte,” ele explicou, um instante antes de baixar o açoite, “é pior”. Então as pontas do açoite se chocaram nas costas do homem com um estalido e um chiado, rasgando através das roupas caras, queimando, cortando e rasgando o que tocavam e não pela última vez naquele lugar, ele gritou.
Havia 211 instrumentos naquela parede e ele experimentaria cada um deles no seu próprio tempo. Quando, finalmente, a Filha do Lazarento, que ele acabou conhecendo intimamente, foi limpa e recolocada na parede na duodécima primeira posição, só então, através dos lábios rachados, ele cuspiu, “E agora?”

 “Agora,” disse o demônio, “a verdadeira dor começa.”

E começou.
Tudo o que ele havia feito, que teria sido melhor deixar por fazer. Toda mentira que ele contou – para si mesmo ou para os outros. Cada pequena dor e todas as grandes dores. Cada coisa foi puxada de dentro dele, detalhe por detalhe, centímetro a centímetro. O demônio o despiu da proteção trazida pelo esquecimento, despiu  tudo até chegar a verdade, e aquilo doeu mais do que qualquer outra coisa.

“Diga-me o que você pensou quando ela saiu porta afora,” disse o demônio

 “Eu pensei que o meu coração havia se partido.”

 “Não”, disse o demônio, sem ódio algum, “você não pensou isso”. Ele o olhava com olhos inexpressivos, e ele foi forçado a desviar a vista.

 “Eu pensei que ela nunca iria descobrir que eu estava dormindo com a irmã dela.”

O demônio desconstruiu a vida dele, cada momento, cada terrível instante. Durou cem anos, quem sabe, ou mil – eles tinham todo o tempo que existia, naquele salão cinzento – e próximo ao fim ele percebeu que o demônio estava certo. A tortura física tinha sido mais gentil.
Finalmente, havia terminado.
E uma vez que havia terminado, começou novamente. Havia um auto-conhecimento que ele não tivera da primeira vez que, de alguma forma, fazia tudo ainda pior.
Agora, enquanto ele falava, ele se odiava. Não havia mentiras nem evasivas, nenhum espaço para nada exceto a dor e a raiva.
Ele falou. Não chorava mais. E quando terminou, mil anos depois, ele rezou para que o demônio fosse à parede e trouxesse a faca de esfolamento, ou o sufocador, ou a morsa.

 “De novo”, disse o demônio.

Ele começou a gritar. Ele gritou por um longo tempo.

 “De novo”, disse o demônio, quando ele havia terminado, como se nada tivesse sido dito.

Era como descascar uma cebola. Dessa vez ele aprendeu sobre conseqüências. Ele aprendeu sobre o resultado das coisas que ele havia feito; coisas para as quais ele havia estado cego quando as fez; as maneiras que ele havia machucado o mundo;  o dano que ele havia feito a pessoas que ele não conhecia, ou que nunca havia visto, ou encontrado. Foi a lição mais difícil.

 “De novo”, disse o demônio, mil anos depois.

Ele se curvou ao chão, ao lado do braseiro, ninando-se gentilmente, os olhos fechados, e contou a estória da sua vida, revivendo-a enquanto a contava, do nascimento a morte, sem mudar nada, sem omitir nada, enfrentando tudo. Ele abriu seu coração.
Quando havia terminado, se sentou ali, os olhos fechados, esperando a voz dizer “De novo”, mas nada foi dito. Ele abriu seus olhos.
Vagarosamente ele se levantou. Estava só.
Do outro lado do salão havia uma porta, e ela se abriu enquanto ele olhava.
Um homem entrou através da porta. Havia terror na face do homem, arrogância e orgulho. O homem, que vestia roupas caras, deu muitos passos hesitantes na sala, e então parou.
Quando ele olhou para o homem, ele entendeu.

“O tempo é fluído aqui”, ele disse.

Coloque-se dentro de um triângulo, acenda velas para si mesmo e evoque seu próprio nome, pois somos todos demônios. Se você se enxerga como algum ser divino, retorne para o planeta Terra: Quantas mentiras contamos para os outros e para nós mesmos? Quão confortável é permanecer num relacionamento vazio simplesmente por temer destruir para reconstruir? De todas as palavras que você diz, quantas ferem os outros e quantas exprimem ódio e raiva? Quantas pessoas você manipulou? Quantas você teve que destruir? E o estranho é que tememos espíritos. 

O autoconhecimento é um processo doloroso, que isso fique bem claro, você não encontrará flores e um tapete vermelho indicando o Caminho, não há trilhas, apenas migalhas que não indicam direção alguma. Somente quando classificamos uma grande quantidade de aspectos positivos e negativos através da constante auto-observação é que o Caminho se torna mais claro, e as migalhas começam a adquirir a forma de setas. É precisar trazer a atenção que você irá chorar, irá desejar nunca ter conhecido seus erros e tudo aquilo que você reprimiu pensando que manteria alguma felicidade com a esperança de não ser superficial. E para reciclar e transmutar todo este lixo além da alimentação e respiração conscientes temos que agir em todas as áreas da vida. Destruir o que não imbui nenhum propósito, e fortificar o que é verdadeiro para a nossa experiência pessoal.

O CORPO MATERIAL

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Creio que para muitos praticantes esse pode ser facilmente o fator mais difícil da prática mágica e o mais fácil a ser negligenciado. No início, muitos praticantes têm a cabeça nas nuvens, sonham com poderes, evocações de reis elementais e viagens interestelares e esquecem completamente do corpo material – sem mencionar o plano físico. Num corpo não consciente e sem saúde, a mente não consegue se desenvolver. Sem um mínimo de alongamento diário o chi não flui e o desânimo e a falta de energia facilmente alcançam-nos. Sem higiene física – sem mencionar a mental - atraímos energias e até mesmo entidades negativas. No corpo físico se manifestam todas as ações dos outros corpos, por isso sua observação pode trazer grandes aprendizados. É necessário refletir também sobre o que comemos, não em termos de ser vegetariano ou não. Tudo o que comemos se torna nosso corpo, se você comer uma banana agora, daqui algumas horas essa banana será você, fará parte da sua corrente sanguínea, e se o corpo achar necessário começará a construir músculos, o cálcio será levado aos seus ossos e ano após ano, seus ossos se tornam completos pedaços de tudo o que você comeu, assim como seu cérebro, sua pele, seus olhos: seu corpo. Observe a carga energética de tudo o que você come, pois, esta energia alimentará seus átomos. Da próxima vez que colocar as mãos sobre a comida para encantá-la com algum aspecto positivo, tenha em mente tudo isso. Tudo que você come influenciará fortemente – não determinará – seus pensamentos, emoções e saúde física. Creio que não preciso mencionar mais nada sobre isso.

Como o texto ficou um pouco grande não irei comentar sobre as barreiras do Grau II nesta postagem, mas futuramente farei.

Bons treinos!
Lucas Augusto.

BIBLIOGRAFIA

GAIMAN, Neil: Coisas Frágeis. São Paulo: Conrad Brasil, 2010.