Grau I e II - Equilíbrio Elemental

Por Lucas Augusto


De acordo com a minha experiência em alinhamento com as instruções de Franz Bardon no livro Magia Prática - O Caminho do Adepto: um curso em dez etapas, e Virgil em The Elemental Equilibrium: Notes on The Foundation of Magical Adepthood.

Já escrevi alguns textos sobre o processo de transmutação interna, inclusive no meu pathwork do Grau I. Mas o texto de hoje é um guia prático que envolve a junção do Grau I e II. Não é necessário ler o textos anteriores para a compreensão, mas para aqueles que desejarem, segue os links abaixo.

Desnecessário dizer que para a compreensão desse artigo é indispensável ter lido a introdução e o primeiro Grau do IAH.

É preciso vibrar para transmutar
Alquimia inteior e potencialidades
Bardon & C. Jung: O Desenvolvimento Mágico-Espiritual e da Consciência
Grau II - A Transformação do Caráter e as Obsessões Espirituais
Astrologia, Psicologia e a Instrução Mágica da Alma (I)

Franz Bardon, IAH, hermetismo, magia

INTRODUÇÃO

Não é exagero dizer que este é o exercício mais importante do sistema de Franz Bardon. Sem o equilíbrio elemental estabelecido torna-se perigoso o trabalho com os Graus posteriores. Por exemplo, ao respirar o elemento fogo (ou qualquer outro) no Grau III, se o equilíbrio com os aspectos da personalidade não fora atingido, o exercício de respiração elemental irá fortalecer os aspectos negativos, em vez de fortalecer os positivos se houvesse o equilíbrio. Não se trata apenas de transmutar, mas de fortalecer os aspectos positivos também. Este é um dos principais motivos de existir tantos ocultistas com um orgulho gigantesco. Não é, ao todo, culpa deles, e sim do sistema que eles escolheram que os conduziram aos trabalhos com os elementos sem propor e estabelecer o equilíbrio elemental interior em primeiro lugar. Sem o equilíbrio elemental ou você ficará estagnado ou destruirá sua vida - Magia não é brincadeira para crianças - ou não se desenvolverá como um verdadeiro Mago. O sistema de Franz Bardon não seria um sistema de magia verdadeira sem essa etapa do treinamento.

ORGANIZANDO O ESPELHO DA ALMA

Há duas formas de criar o espelho da alma, a primeira e primordial é através da introspecção (reflexão, meditação, auto-observação constante), a segunda e opcional, é através do Mapa Astral pessoal. Já comentei sobre a segunda opção aqui. Ressalto novamente que se você nunca parou para observar seus aspectos negativos (vulgo defeitos) e não tem a menor noção sobre o assunto, o Mapa Astral irá ampliar um pouco sua compreensão sobre si mesmo, provendo uma breve introdução sobre você mesmo, com a qual será possível dar os primeiros passos - além deste artigo.

Começar simplesmente anotando os aspectos de forma trivial e universal irá dificultar a etapa da transmutação. Comece escrevendo em seu diário, físico ou em nuvem, frases sobre a situação em que os aspectos aparecem e colocando uma observação sobre o grau de intensidade, de um a três, sendo três alto, dois médio e um fraco, por exemplo:


#1 Quando minha mãe/esposa me questiona eu me irrito (2).
#2 Quando minha esposa chega do trabalho reclama da louça que não lavei para ela (3)
#3 Quando vejo mulheres na rua sinto uma forte atração e excitação (3)
#4 Minhas notas são baixas porque tenho preguiça de estudar (3)
#4.b Minhas notas são baixas porque mesmo estudando não consigo aprender (3).


E não há limite para a quantidade… na segunda etapa organizamos os aspectos por elemento. Na anotação de número um temos duas possibilidades. 1. Fogo, pela irritação. 2. Ar, pelo fator mental, querer estar certo e isto catalisar a irritação. Se você se deparar com uma situação semelhante, use a introspecção para descobrir o elemento do traço: se é irritação natural e constante ou se a irritação é acionada por uma teimosia mental.

Na anotação de número dois também temos duas possibilidades. 1. Terra, preguiça. 2. Água, falta de empatia. Novamente, qualquer situação deve ser dissecada através da introspecção. Você compreende sua companheira, percebe que ela chega cansada e sente que precisa ajudá-la, mas mesmo assim não consegue lavar a louça? Então o traço é a preguiça.

Diante dos diversos casos de estupro, creio que o número três é um problema de higiene social. Temos várias possibilidades: 1. Repressão de traumas ou de paixões (água). 2. Abundância de energia sexual (fogo). 3. Algum distúrbio psicológico (ar). 4. Carência física (terra). Somente a introspecção irá revelar a verdadeira razão, é importante ter em mente que existem, por exemplo, vários tipos de carência: social, emocional, psicológica, física, de conhecimento, etc. E cada uma pode estar ligada a um elemento diferente e isso se aplica a todos os aspectos. Não é porque uma pessoa sempre chora em situações de estresse que o aspecto (sensibilidade) está ligado, como regra absoluta, ao elemento água, é preciso investigar a raiz primária do aspecto.

O número quatro é um exemplo claro de uma mesma situação, mas com elementos diferentes. No primeiro o catalisador é a preguiça, no segundo uma deficiência do elemento ar, qual a transmutação irá fortalecer: a inteligência. Lembre-se que a função da transmutação não é apenas transmutar aspectos negativos em positivos, mas também criar novos aspectos positivos e fortalecer os que você já possui também.

Após meditar sobre cada situação, avaliando e refletindo, Joãozinho descobriu o elemento e o aspecto raiz (primário) em cada situação, e deverá criar outro documento ou começar um novo capítulo se o diário for físico, o espelho negro da alma ficará assim: 

#1 Impaciência (Fogo - 2)
#2 Preguiça (Terra - 3)
#3 Carência física (Terra - 3)
#4.1. Incapacidade mental (Ar - 3)

Se você quiser, pode colocar o aspecto positivo a ser transmutado para facilitar futuras consultas.

#1 Impaciência (Fogo - 2)
> Paciência.

#2 Preguiça (Terra - 3)
> Disposição.

#3 Carência física (Terra - 3)
> Autossuficiência.

#4.1. Incapacidade mental (Ar - 3)
>Inteligência.

E somente após isso em um outro documento, iremos fazer a tabela.

Então, teremos um primeiro documento com os aspectos brutos. Um segundo documento com os resultados das introspecções, e por fim a tabela. Para aumentar a exatidão da tabela, é necessário realizar todo o processo. Se observarmos o treinamento, não importa qual elemento é predominante na nossa personalidade, temos que transmutá-lo de qualquer forma. Então, não gaste muito tempo tentando descobrir o elemento de um aspecto, seja ele positivo ou negativo,  Bardon orientou essa classificação porque enquanto fazemos isso acabamos por consequência estudando os elementos já no Grau I e aprimorando o autoconhecimento, contudo se sua carência é ligada ao elemento terra ou água, não importa, você terá que transmutá-lo de qualquer forma. Faça o mesmo com os aspectos positivos.

ENRAIZAMENTO

A maior dificuldade de assumir um aspecto negativo como negativo (um defeito como sendo um defeito) é quando ele faz parte de nós há tanto tempo que não conseguimos nos enxergar sem ele. Quando ele está tão profundamente enraizado em nossa personalidade que apenas o fato de olhá-lo provoca tristeza e desânimo. “Como vou lidar com isso?” “Eu sou assim mesmo, não tem jeito”. Ou pior: quando não o encaramos como um aspecto negativo, mas o abordamos com normalidade. É fácil identificar se um aspecto é negativo ou positivo: se ele provoca dor a você ou aos outros, se impede seu crescimento profissional e pessoal, se traz tristeza ou melancolia, se torna o clima pesado para os outros e/ou para você, é, definitivamente um aspecto negativo. Eu mesmo tenho dificuldade com alguns aspectos negativos enraizados, trazê-los para a superfície e propiciar situações em que os testem é uma ótima fórmula para observar como a nossa personalidade funciona no automático. Sua gentileza só poderá ser chamada de gentileza quando for automática, sua humildade só poderá ser humildade verdadeira, quando num único impulso você for humildade naturalmente. Seu amor só poderá ser amor quando seus olhos brilharem até mesmo para uma flor. Ao contrário, você está enganando a si mesmo e os outros. Observe seus atos e pensamentos automáticos: aquele negro do outro lado da rua, aquele casal de homens ou apenas de mulheres se beijando, aquela pessoa baixinha: qual pensamento e sentimento surgem de forma automática em sua mente? Não esqueça de anotar. Eu já disse que o processo de autodescobrimento dói, não é mesmo? Compre um sorvete para você após fazer esses exercícios, você merece.

O PROCESSO DE TRANSMUTAÇÃO

Existem seis exercícios que devem ser executados em conjunto e diariamente e com o mesmo nível de esforço para a transmutação interna ocorrer com sucesso. Explicarei cada um na ordem que são apresentadas no livro O Caminho do Adepto de Franz Bardon.

ASSIMILAÇÃO CONSCIENTE DE NUTRIENTES

Toda vez que você está prestes a comer, coloque a comida na sua frente, olhe para ela e impregne a essência da comida com a ideia da qualidade positiva que você quer desenvolver. Esse processo é chamado de “impregnação” e transformará a comida nessa qualidade no nível astral-mental. Quão completa é a transformação depende da qualidade da impregnação. Quanto melhor você impregnar, mais completamente você será capaz de transformar o corpo astral-mental da comida em uma qualidade, imprimindo essa qualidade na essência da comida através do poder da intenção focalizada (VIRGIL, 2017).

Tudo o que comemos e bebemos é assimilado fisicamente pelo corpo, e astral e mentalmente pelos corpos astral e mental. Quando iniciei com essa etapa do treinamento, eu constantemente esquecia de impregnar a comida com a qualidade que eu estava desenvolvendo, ou se lembrava o fazia rapidamente e começava a conversar com quem estivesse comigo. Enquanto eu comia, os assuntos da conversa despertavam ora repulsão, ora tristeza, ora raiva -  porque as pessoas adoram conversar sobre problemas enquanto estão comendo e querem te incluir nisso. Eu estava envenenando-me. A impregnação deve ser constante porque acompanha a intenção e esta deve ser firme e ter total foco no alimento - em nenhum outro assunto, sensação lembrança, memória, pessoa. Comer se torna um ato meditativo de  pura intenção e absoluta convicção - não é usado a visualização. Digamos que você, durante o próximo mês, se dedicará ao desenvolvimento da humildade. No café da manhã você não estará comendo pão, você estará comendo humildade. Literalmente. Não é apenas sentir que está comendo humildade, é acreditar que está se alimentando de humildade. No almoço você não está comendo feijão com arroz, você estará comendo humildade com humildade. Do primeiro ao último grão de humildade: concentração, sensação e crença absoluta. Sinta a humildade vibrando em seu estômago e sendo absorvida pelos três corpos: físico, astral e mental. Para os outros, poderá parecer que você está num estado de lerdeza, pois seus olhos estarão calmos e seu corpo relaxado, mas mentalmente você estará completamente voltado para o processo de alimentação consciente. Olhe profundamente para o alimento, contemple-o em seu nível espiritual e acredite: é pura humildade!

Quando estou almoçando num restaurante, e não posso colocar as mãos sobre a comida, deixo uma das mãos próxima ao prato como que o protegendo de mosquitos e com a outra eu como. Também, como Bardon mencionou, você pode colocar as mãos em posição de oração, isso irá fortalecer sua crença que diante de você há um prato de humildade divina brilhando em pura luz. Peça para que a Providência Divina, ou Deus, ou Buda, ou Jesus ou Brahma abençoe a comida com humildade divina. E não esqueça de fazer isso com as bebidas também. Recomendo uma pesquisa sobre O Efeito do Observador.

William Mistele escreve muito sobre a “perfeição da sabedoria”. Essa é a mais alta, mais pura, mais exaltada e mais divina forma de sabedoria. Considere meditar sobre este conceito e estendê-lo ao praticar uma alimentação consciente. Não transmute a comida que você está prestes a comer em paciência, carisma ou generosidade. Transmute-a na perfeição da paciência, na perfeição do carisma ou na perfeição da generosidade (VIRGIL, 2017).

A MAGIA DA ÁGUA

Existem algumas formas de usar a água no processo de transmutação, a primeira é durante o banho, e para tanto o banho não deverá estar quente, pois conforme mencionado por Franz Bardon a água perde o magnetismo aos trinta e seis graus (a água tem o poder de atrair e absorver), pois conforme a água aquece, ela adquire as características do elemento fogo. Porém, o banho não deverá estar em uma temperatura desconfortável, pois é preciso estar relaxado para maximizar o processo de transmutação. Se você é acostumado com banho quente, diminua um pouco a temperatura todos os dias, até seu corpo se acostumar. Ou comece o banho quente e diminua a temperatura nos próximos vinte segundos, assim você enganará o corpo. Não esqueça: até uma temperatura confortável, mas levemente fria. Se você consegue tomar um banho frio e se manter relaxado, melhor ainda. Não irei comentar sobre os benefícios do banho frio, pois isso pode ser encontrado numa breve pesquisa.

ABORDAGENS

1. Durante o banho concentre-se no magnetismo da água com intenção e vontade enquanto direciona à água o aspecto negativo eliminado - observe que na alimentação consciente nos concentramos no aspecto positivo, já no banho nos concentramos no aspecto negativo de modo que esse seja eliminado.

2. Crie um poema ou escreva uma música sobre o aspecto a ser eliminado sendo levado pela água durante o banho, e cante com intenção enquanto se concentra no magnetismo da água.

3. O mesmo pode e deve ser feito ao lavar as mãos.

4. Ao se hospedar em hotéis que não é necessário pagar a conta de água, aproveite! E fique um bom tempo lavando sua sujeira astral-mental.

5. Se o aspecto negativo a ser lavado estiver ligado a algum trauma, lembrança, situação do passado; durante o banho se imagine na situação e abrace a situação trazendo as sensações do passado para o presente para serem absorvidas pela água. Embora pareça, essa não é uma abordagem psicológica. O Akasha está além do espaço-tempo e partir dessa Lei qualquer trauma pode ser trazido completamente do passado e levado embora pelo magnetismo do elemento água.

6. Ao terminar o banho, execute alguns inspirações absorvendo a humildade para “preencher” o espaço que o orgulho deixou - mais sobre isso será tratado mais a frente.


AUTO SUGESTÃO: O MISTÉRIO DO SUBCONSCIENTE


Essa é a etapa mais fácil e ao mesmo tempo a mais difícil de ser implementada (se tornar um hábito), porque a grande maioria das pessoas acordam cansadas ou não totalmente recuperadas, o que abre um grande espaço para o cruel e vil pensamento: “amanhã eu faço” ou “não terá problema”. O amanhã sempre gera outro amanhã, e o problema é que você não desenvolverá a humildade no corpo mental, fazendo com que os outros dois corpos continuem recebendo influências do orgulho, tornando impossível uma transmutação completa e eficiente.

A primeira coisa a ser feita é comprar um barbante e criar quarenta nós ou um japamala, ou um terço, ou uma cordinha (a quantidade mínima de repetições é 40, não 39, não 38, 40), o material precisa ser resistente, pois você o usará por um longo tempo. Sempre guarde-o em um lugar de fácil acesso para apanhá-lo rapidamente quando acordar - eu por exemplo, deixo o meu numa cômoda exatamente ao lado da cama, após usá-lo antes de dormir, deixo a cordinha sob mim, então quando eu acordar apenas procuro, e ela está sempre próxima do meu corpo, não abro nem os olhos e já começo o processo de autossugestão.

A  autossugestão não deve ser feita sem vontade e de forma mecânica, é preciso atenção e concentração. Isso irá desenvolver e muito a sua vontade, quando pela manhã precisar reunir, aos poucos, sua vontade de se tornar uma pessoa melhor. Não disperse os pensamentos, como por exemplo, durante o processo começar a pensar no que fará a tarde ou no que fez ontem. Se concentre na autossugestão, sinta a humildade, acredite que você JÁ É HUMILDE, repita com fervor. É aconselhável, pelo menos, sussurrar, verbalizar. Tente com um (dizer apenas mentalmente) e depois o outro (verbalizar), e notará a diferença por si mesmo(a).

Durante o dia você também deve usar a autossugestão, principalmente se você demora uma hora e meia para chegar ao trabalho, por exemplo, e não faz nada de útil durante esse percurso, e pode se concentrar na autossugestão mentalmente, e quando estiver sozinho verbalize - o uso diurno desse  processo não elimina o matutino e o noturno, pois imediatamente após acordar e antes de dormir são os momentos em que o subconsciente está mais predisposto a sugestão.

A afirmação, como mencionado por Bardon, deve ser feita no presente: eu sou humilde. E não deve conter negações, como: eu não fumo, nesse caso o correto seria: eu estou livre do cigarro. Se você não possui um bom desempenho na alimentação consciente, ou em qualquer outro processo, você pode usar a autossugestão para fortalecer a habilidade, tal como: eu sou bom em comer conscientemente. De fato, você pode usar esse processo e qualquer um dos seis, para criar e fortalecer qualquer habilidade. Fábio Puentes, famoso hipnólogo, afirma que o subconsciente não absorve uma frase com mais de seis palavras, então não crie frases muito longas. Seja objetivo e claro.

Em The Elemental Equilibrium, Virgil recomenda uma adição interessante ao processo de autossugestão. “Algumas pessoas, como Mouni Sadhu, Georg Lomer e William Mistele, recomendam a visualização de uma imagem relevante ao praticar a autossugestão. Por exemplo, se você está tentando eliminar a acrofobia de si mesmo, enquanto está repetindo repetidamente “estou confortável com as alturas”, você também se visualiza andando confortavelmente em uma corda bamba alta. Você pode fazer isso do ponto de vista de primeira pessoa ou terceira pessoa.”

Livros recomendados: O Domínio de Si Mesmo pela Auto-sugestão Consciente de Émile Coué / Auto Hipnose - Manual do Usuário de Fábio Puentes / Autohypnosis for Franz Bardon´s Initiation into Hermetics por Ray del Sole (em inglês).

O MISTÉRIO DA RESPIRAÇÃO

Embora simples, há algumas precauções e abordagens que devem ser esclarecidas. Impregne o ar ao seu redor com a humildade, e inspire sete vezes conscientemente a  humildade. Comece com sete respirações pela manhã, e sete a noite. Conforme a proficiência com o exercício aumenta, o número de respiração deve ser acrescido também. Mas não faça por mais de trinta minutos.

Esse não é um exercício de respiração em seu sentido literal, você deve respirar normalmente, mas o akasha contido no ar estará impregano pela qualidade que você busca desenvolver. Você não está impregnando o elemento ar com a qualidade, você está impregnando o Akasha contido no elemento ar. A respiração consciente e a alimentação consciente são duas parceiras que suportam uma a outra  juntas. Os efeitos da respiração consciente se manifestam com mais poder no corpo mental, e os efeitos da alimentação consciente se manifestam com mais força no corpo astral. Juntas, eles constituem uma poderosa forma de transformar seu corpo astral-mental (VIRGIL, 2017). Com o tempo será útil e proveitoso expirar o oposto da qualidade almejada, no exemplo deste artigo: inspirar humildade e expirar orgulho.

“Por favor, note que o que interessa ao estudante aqui não são os constituintes físicos do ar que são inalados (oxigênio, nitrogênio, etc.), nem à energia vital inalada. Isso não é "pranayama" nem é um exercício para hiper-oxigenar o sangue. A única coisa a ser considerada nesse estágio é a ideia inalada a cada respiração - essa ideia representa a qualidade daquilo que é captado e está ligado, pela mente, ao princípio akasha do ar físico. ” - Rawn Clark em A Bardon Companion.

VONTADE

Antes de iniciar a transmutação é de suma importância ter certeza que você realmente quer mudar, se você quer praticar porque gosta da água, porque sente uma ligação com os elementos, porque possui dons espirituais, porque deseja poder, etc. Saiba que essas coisas não são suficientes pois não sustentam o treinamento a longo prazo, e podem causar estragos mentais e emocionais. É necessário ter absoluta e uma profunda Vontade de mudar. Apenas isso. Uma Vontade que reconhece e aceita todos os seus defeitos, todos os seus traumas, uma Vontade que se retroalimenta e queima os olhos. Essa Vontade pode e irá ser desenvolvida se você treinar com afinco os exercícios do Grau I.

A INFERIORIZAÇÃO DA FÉ

Existe um grave problema no ocultismo moderno, o qual o Bardonista deve refletir: a falta fé. Fala-se muito em Vontade, em habilidades ocultas, em livros raros, em rituais diversos, cristais, astrologia, evocações. Você não encontrará a fé em nenhum livro, e certamente muitas pessoas praticam por anos sem fé alguma. É necessário ter fé para penetrar nas obscuridades de si mesmo e voltar lúcido. Esse é um dos motivos do porquê muitas pessoas simples do interior conseguem operar milagres que magistas com treinamento de anos não conseguem. A fé é conectada a humildade, e humildade pode ser encarada como sinônimo de Deus. É a fé que mantém o coração firme e o hábito vivo. Sem fé transmutar a si mesmo será um esforço hercúleo. Reflita sobre a fé, pois sua magnificência não abarca essas linhas.

CONSIDERAÇÕES E CONSELHOS FINAIS

Alguns autores recomendam executar a respiração pelos poros de algum elemento, como mencionado no começo do artigo, antes de obter um equilíbrio elemental, isso é estritamente proibido.

Não é aconselhável executar o exercício de respiração em locais público, já que você precisa impregnar o ar ao seu redor com a qualidade. Reforçando: a respiração consciente não é a mesma coisa que pranayama, você respira normalmente. Ao contrário, se faz uso da autossugestão no dia a dia.

Todo o processo de transmutação não deve ser encarado como uma batalha entre você e seus inimigos aspectos negativos. Pelo contrário, para a  transmutação ocorrer você deve aceitá-los, entender que a existência deles trouxeram você até aqui, abrace-os e permita que eles se vão.



REFERÊNCIAS

VIRGIL. The Elemental Equilibrium: Notes on The Foundation of Magical Adepthood, Falcon Books, 2017.

BARDON, Franz: Magia Prática: O Caminho do Adepto; um curso em dez etapas teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Ground, 2007.

PUENTES, Fábio: Auto Hipnose: Manual de Usuário. Cenaun, 2001.


Trabalhando com o Arcanjo Gabriel - Parte Final

< Parte IV

Por William Mistele


EVOCAÇÃO, LETRA CÓSMICA E, POEMAS

Quando pratico evocação costumo criar um lugar onde o espírito possa se manifestar livremente em minha presença. Faço isso principalmente através da concentração e meditação. Quando estou trabalhando com as outras pessoas, gosto de verbalizar em voz alta uma forma poética do que estou fazendo através da concentração. É uma maneira de evocar como em uma oração, e funciona se seu sentimento for profundo o suficiente ou há pessoas presentes o suficiente para ajudar, derramando a energia de suas almas.

UMA EVOCAÇÃO DO ARCANJO GABRIEL

Venha Arcanjo Gabriel, converse comigo. Imerja do seu mar infinito, do seu mar de êxtase divino, do mar cujas ondas são a pura felicidade – onde o tempo dissolve-se. Venha, Você, cujas asas brilham com a luz da eternidade.

Eu não estou clamando sozinho. Veja esse círculo de corações em volta de mim – cada um é um diamante brilhando furiosamente. Cada um revelando um aspecto de Tua Luz. Veja a fome queimando em cada um desses corações, uma fome que Você não conhece verdadeiramente – pois nós não viemos te adorar, mas dar mais um passo com a ajuda do Teu coração e da Tua alma, em nossa jornada em direção à Luz Única.

Você não pode recusar e nem resistir a este pedido – o chamado desse círculo de corações unidos como um. Nós O chamamos pelo poder da Lei Una, A Lei do Amor que o une o universo, amor clamando ao amor para vir e abraçar o mistério.

Deslize com suas asas através do mar da felicidade. Ilumine minha casa através do espaço-tempo. Venha, revele-se e enflore-nos com teu mistério.

Venha, Você que carrega em si a taça da Visão Divina – a taça cujas visões de toda a história giram, presas em um redemoinho, mas que Suas palavras e a luz em Seus olhos clareiam, acalmam, pacificam e revelam os mistérios do tempo, do espaço e da sabedoria.

Eu imploro, Arcanjo Gabriel, revele vossa alma, seu coração e suas visões, para que eu possa completar a minha jornada rumo à Luz Una. Venha com Vossa paz. Ilumine essa sala – junte-se ao círculo conforme teus dedos pousam em mim – una este instante com a eternidade. Sente-se e não parta tão depressa. Permaneça conosco!

Junte Vossas mãos com as nossas, compartilhe sua sabedoria e dance conosco em direção ao centro desse círculo de amor, esse círculo de paz.

Venha, Arcanjo Gabriel.
Nós te oferecemos corações com amor.
Venha, venha agora!

A LINGUAGEM CÓSMICA DE FRANZ BARDON E A EVOCAÇÃO

Existem várias maneiras de criar campos de energia que auxiliam na evocação de um espírito como Gabriel. Recentemente, visualizei e condensei uma luz prateada como a lua. No passado, usei a letra cósmica E, que também se relaciona com a energia lunar. A letra cósmica E está no nome de Gabriel, e pode ser usada para trabalhar com ele. Abaixo está um ensaio sobre a letra cósmica E para a evocação de Gabriel.

Resumidamente, para Franz Bardon, uma das coisas essências na evocação é criar um campo de energia que facilite a aparição do ser celestial. Usar manipulação energética na evocação demonstra conhecimento das leis universais e respeito pelo espírito evocado. É como dizer: “Eu ofereço a você este lugar, um lugar onde os mundos juntam-se”.

Cada letra, no verdadeiro nome de um ser, é um reflexo dos blocos de construção básicos do universo, nesse caso a letra E no nome de Gabriel. A letra cósmica E têm três partes unidas em uma: um som, uma cor, e uma sensação elemental – esses são os blocos de construção crus de energia e é nossa mente e espírito que os molda como um oleiro faz com a argila ou um artista com a pintura para expressá-los de uma maneira específica.

A letra cósmica E tem uma nota de D na escola C central que nesta aplicação é como um vasto mar luminoso, iluminando tudo: interiormente e exteriormente. Não é uma nota que você toca na sua guitarra, flauta ou órgão. A mente tem um o poder de criar êxtase e por esse som a mente, sua mente, pode alcançar e tocar o infinito. Não há nenhuma dúvida quanto a isso, mas talvez você precise aprender, antes de acreditar. É algo para se aprender através da experiência.

Imagine um mar de luz, um mar sem praias e dentro de todo esse espaço, tempo e história são iluminados. E conforme o som passa entre os seus lábios, imagine que esse mar é constituído de puro êxtase e felicidade, como se fosse um mar infinito de amor e você está boiando nele. Sinta e contemple as ondas ao seu redor, toque-as com afago, e flua com elas, sinta as marés e as correntes se agitando e despertando profundamente dentro de você.

Lembre-se que foi mencionado que Gabriel tem uma flauta, ouça-o tocar a nota da letra cósmica E. Observe o som deslizando entre seus lábios – o som que dissolve todos os selos, todos os cadeados, e abre todas as portas.

Embora trema todas as células do corpo, não é algo perturbador. Embora passe todos os lugares obscuros, por todas as portas e portões do seu ser, você ainda se sente em paz enquanto preenchido por esse som.

Agora, por intermédio desse som, começamos a criar um lugar onde o arcanjo pode assentar-se e sentir-se livre para aparecer – o tapete acolhedor está posto.

Há também a cor violeta escuro. Com essa cor, criamos um lugar de profunda serenidade, pois tem a ver com a lua – a esfera onde os sonhos podem nascer e visões são forjadas e ensaiadas. Não é tão diferente de um útero, um lugar de grande mistério e transformação.

Um lugar onde você pode sentar e assistir o universo e tudo que existe dentro dele. Ver, por esta luz, tudo como verdadeiramente é, sem rotular ou impor-se. Oh, você pode ser pragmático nesse lugar, sem dúvidas, mas o encanto é tal que você se importa mais com a verdade do que com qualquer outra coisa – e a verdade finalmente aparece nesse lugar, pois é o lugar perfeito para esperar por ela.

No interior do Arcanjo Gabriel, você vê tudo o que é de uma única vez – toda a história, pois o tempo não é um fator determinante em seu interior. Esse é um grande mistério. Mas na luz desse arcanjo, você pode conhecer a vida de todas as pessoas e seres, não apenas sentir, mas vivê-las também. Não que a vida dos outros se torne sua, mas cada momento está presente para você ver e conhecer. Essa luz é tal que tudo que aparece no tempo e espaço é iluminado por ela – tudo é visto, claramente, como se refletido em um espelho.

Eu sei que isso soa invasivo, parece tão ruim quanto soldados quebrando portas, ladrões subindo pelas janelas ou os sussurros de fantasmas assombrando a casa, mas nem tanto. Eu digo isso em relação ao caminho da Verdade, pois na Verdade não há nada que possa ser escondido, nenhum segredo sombrio. Essa luz é apenas o som da eternidade ecoando através do tempo e tocando tudo e todos.

Pegou a sensação dessa luz? Há muito mais, é claro, a sensação, isto é, o elemento – nesse caso – o Akasha.

E o Akasha é a sensação de penetrar em todos os lugares através do espaço-tempo – como se de todo o seu corpo irradia-se uma luz infinita que preenche o universo, e você acompanha essa luz, você também está dentro dela – seu corpo é tão vasto como qualquer momento. Não há bloqueios. Não há cercas. Não há limites – siga essa sensação, torne-se todos os lugares. Não há lugar onde você não possa ser chamado e aparecer.

Em resumo, o som com seu mar de luz, a cor que está sempre pronta para descobrir a Verdade, e a sensação de que seu corpo está sendo carregado por asas e livre para penetrar qualquer lugar. Estes três juntos são o mistério da letra cósmica E a partir da perspectiva da letra E no nome do Arcanjo Gabriel.

Á medida que aperfeiçoamos nossa concentração nesses três aspectos, o que pode levar uma vida inteira, podemos facilmente cumprimentar nossos amigos e os necessitados com uma luz brilhante e envolvente, da qual muitos comentam quando voltam de uma experiência de quase morte. Mas não precisamos morrer para encontrá-la ou esperar passivamente que ela encontre-nos. Ela já está aqui. Esperando em cada momento, para ser chamada e tornarmos um com ela – quem pode resistir a tal luz? A tamanha felicidade? Vamos incorporá-la agora mesmo.

Eu uso essas três concentrações de sentido para criar energia conforme convido o Arcanjo Gabriel para aparecer diante de mim. Como eu disse, isso é uma cortesia oferecida ao espírito como um lenço de seda é oferecido ao um guru, etc.

Se você não sabe o que dizer a um Arcanjo, você pode dizer: “Compartilhe conosco seu coração e seu ser”. O coração dele pode tornar-se um copo de visão que revela os mistérios, êxtases, curas ou caminhos específicos.


Autor: William Mistele
Tradução: Lucas Augusto

MISTELE, William. Gabriel. Disponível em: <http://williammistele.com/gabriel.html>. Acesso em 11/06/2018.

Grau I - O que é concentração?

Em termos de meditação, concentração é uma ação da mente aplicada a um objeto.

Mas isso são apenas palavras. Vamos fazer um exercício especifico para demonstrar na prática o que concentração “é”.

Faça esse exercício agora:

1. Com o dedo indicador da sua mão dominante, pressione-o suavemente contra uma superfície dura, como uma parede ou mesa. Você deve ser capaz de ver a carne sob a unha mudar de cor quando o sangue é empurrado para dentro dela.

2. Agora, faça a mesma coisa, exceto que usando a metade da energia, então você ainda está empurrando o dedo na superfície, mas ele não muda mais de cor.

3. Agora, faça a mesma coisa com um décimo de poder. Então, isso é agora apenas cinco por centro da força original que você estava usando. Continue aplicando essa força minúscula no seu dedo.

Nesse nível, o dedo não se moverá. No entanto, a ação da mente no dedo continuará. Você continuará a ação da mente, querendo que o dedo seja empurrado contra a mesa – mas com uma força incapaz de realmente movê-la. Isso é concentração.

meditação, aprender a meditar, concentração
 “Pensamento” para “ação física” é um espectro. Os pensamentos cruzam um ponto no espectro e se tornam ações físicas. A maioria das pessoas costuma saltar do pensamento para a ação física em um passo binário. No entanto, como o exercício mostrou, você pode de fato se aproximar do ponto em que um pensamento se torna uma ação física e fica abaixo do pensamento - criando uma ação contínua da mente que é “sublimiar” para criar uma ação física real. Você pode continuar a criar essa ação mental por longos períodos. Isso é concentração.

Essa ação da mente ainda fará com que os nervos disparem no dedo apesar de não se mover. Esses impulsos nervosos podem ser percebidos como uma sensação de formigamento no tórax e no pescoço, onde os nervos que se ligam ao dedo se conectam à coluna. Ao continuar essa ação mental, ao mesmo tempo em que se torna consciente do formigamento, o formigamento pode se espalhar ao longo da espinha e tornar-se quente e prazeroso. De fato, realizar essa ação mental de aplicar força mínima ao dedo é capaz de produzir jhana¹. (Esta é de fato uma das maneiras em que os mudras² trabalham).

Para criar um jhana, você simplesmente precisa continuar a executar a ação mental de aplicar uma força mínima ao dedo até que ele se torne o pensamento dominante e você continue fazendo isso por períodos mais longos e ininterruptos de tempo (por exemplo, 5 segundos pensando apenas sobre o dedo, que é mais longo do que parece quando se trata de prática de concentração pura). Podemos chamar essa fase de “concentração inicial de acesso”³.

Enquanto isso, ao longo do tempo, os formigamentos quentes se espalhariam e se desenvolveriam e se tornariam perceptíveis como seu próprio objeto. Esse “objeto de prazer” então se uniria ao objeto primário (o dedo) e agora teríamos uma situação em que a concentração no dedo também criaria formigamentos agradáveis ​​e quentes em um único processo unificado. Podemos chamar isso de 'alta concentração de acesso' ou 'concentração de acesso em estágio avançado'. Neste ponto, você deve simplesmente continuar a pensar no dedo enquanto deixa os formigamentos quentes se acumularem até que atinjam um limiar, no ponto em que eles se “inflamam” e se tornam um jhana (geralmente com luz em erupção no campo visual).

Isso é muito especial, considerando que você está apenas empurrando o dedo em uma mesa. (Eu também não estou sugerindo que isso é “fácil”, mas é, no entanto, direto.) Ao tentar isso, você pode notar que a concentração é frágil e fina como papel. É frágil porque outros pensamentos tentam roubar sua atenção do seu dedo. É fina como um papel porque é preciso muito esforço mental para “mover o dedo sem mexer o dedo”. Este minúsculo ponto no espectro entre o pensamento e a ação física é muito fino. Mas permanecer nesse ponto é concentração.

Eventualmente, você também notará que a concentração em si, quando aplicada ao longo do tempo, se torna estável e organizada. Torna-se algo como um fluxo constante de atenção. Uma vez que você está chegando a este ponto, você fez algum progresso sério no cultivo da concentração.

Agora, você certamente perguntaria como pressionar um dedo em uma mesa é a mesma “ação” que colocar a consciência nas sensações de respiração do nariz. Pense nisso assim: você tem uma columela: o pedaço de cartilagem no final do nariz que separa as duas narinas. Você pode, agora mesmo, empurrar a columela para a frente (para que seu rosto se mova para frente, com a columela “guiando”)? Agora faça a metade da potência. Agora um décimo desse poder. Neste ponto, sua mente está empurrando sua columela para a frente, mas nenhum movimento físico está ocorrendo. Neste ponto, você pode dizer que está “descansando a atenção no fim do nariz”, exatamente como os budistas exigem! Agora, continue fazendo isso enquanto se deixa respirar. Você descobrirá que esta é, de fato, a mesma ação que “repousar sobre as sensações de respiração na columela”. Sua mente está agora naqueles nervos no final do seu nariz, exatamente onde eles precisam estar para respirar jhana. Continue essa ação mental por tanto tempo quanto puder e você terá uma séria chance de alcançar a respiração de jhana.

Então, isso é concentração. É uma ação mental sobre um objeto, abaixo do limiar de criação de uma ação física. Concentração sozinha causa jhana. O que é interessante, no entanto, é que a escolha do objeto “saboreia” o jhana de forma significativa. Assim, uma respiração jhana tem um sabor muito diferente de um dedo jhana (que é feito corretamente via mudras), ou um kasina jhana4, ou um metta jhana5, apesar de todos estes nascerem da concentração. A principal razão, creio eu, é que todos eles têm diferentes pontos de foco no corpo. A respiração jhana é feita no nariz, os mudras nas mãos, as kasinas tendem a focar no terceiro olho e a metta está no coração. Uma ação mental é aplicada nesses pontos, fazendo com que diferentes nervos nessas vizinhanças se ativem, já que a atenção tende a “sangrar” em nervos próximos.

Por exemplo, quando você descansa a atenção no fim do nariz, os arrepios nos nervos do nariz parecem 'sangrar' nos nervos vago e frênico (que se juntam ao tronco cerebral 'atrás' do nariz), dando estranhos e maravilhosos efeitos do corpo. Venho comentando sobre os nervos vagos em respiração jhana há algum tempo, pela seguinte razão: os nervos vagos inervam os ouvidos, o coração, os pulmões e o sistema digestivo. Respectivamente, isso explica os seguintes efeitos de jhana: zumbido nos ouvidos (o “som de jhana”); calor no peito e diminuição da frequência cardíaca; loop de feedback com os pulmões (o que significa que a respiração 'cria' o jhana ao lado da concentração); felicidade corporal. A respiração jhana tende a ser sedativa e eufórica devido a essa ação nos nervos vagos.
No entanto, repousando a atenção no terceiro olho - que é onde as pós-imagens da kasina tendem a ser colocadas, embora a observação do terceiro olho seja uma meditação em si - parece ativar a glândula pineal e os nervos ópticos. A concentração aqui será “aromatizada” com recursos visuais e terá uma qualidade onírica. A concentração de Mudra, por outro lado, tende a 'sangrar' a coluna, criando um estado estimulador e energizador, portanto, tende a ser associado ao trabalho de kriya yoga / energia.

Então, agora temos um modelo de trabalho do que “é” concentração e como aplicá-la em diferentes pontos cria diferentes estados alterados. Empurrar um dedo em uma mesa não é uma configuração ideal para a meditação, então, se você quiser continuar com esse tipo de “concentração dos dedos”, eu recomendo que você se sente adequadamente e adote o dhyana mudra, e desenvolva a concentração nos dois polegares. tocando levemente um ao outro. O princípio é o mesmo que com a mesa: toque os polegares juntos com uma força abaixo do limiar de criação de uma ação física. Você também pode pensar nos dois polegares simplesmente “descansando” um no outro, o que terá o mesmo efeito. Uma alternativa é gyan mudra: em cada mão, empurre a ponta do dedo indicador para dentro do polegar o mais suavemente que puder. Fique com essa ação mental, e isso é concentração. Concentre-se por tempo suficiente, e um estado alterado prazeroso surgirá. Não é mais complicado do que isso.



1. O uso da palavra “jhana” refere-se apenas aos samatha jhanas (os estados de meditação de concentração), a menos que especificado de outra forma. Os samatha jhanas são estados de absorção em um objeto.

Os estados são reconhecidos pela presença dos fatores jhana. Esses são:

A) One-pointedness: a mente é fixada apenas sobre o objeto e não surgem outros pensamentos (ekaggata).
B) Intenso prazer ou arrebatamento (piti).
C) Felicidade profunda ou felicidade (sukkha). Equanimidade
S) imperturbável (upekkha).
2. Uma pose de mão. Mudras criam diferentes padrões de fluxo de energia que podem ser utilizados pelo meditador de maneiras específicas. Mudras também alteram as percepções - por exemplo, as palmas abertas para cima criam uma sensação de abertura ou receptividade.

Você já está familiarizado com alguns “mudras” da linguagem corporal humana padrão, como um dedo apontando para criar uma consciência de julgamento direcionada a um alvo. Os mudras da yoga, no entanto, são intencionais e refinados.

3. Na meditação de concentração (samadhi; samatha jhanas), a concentração de acesso é o estado ou habilidade de ter sua atenção em seu objeto. A entrada para acessar a concentração tende a ser marcada por um súbito desaparecimento de pensamentos, um aumento no 'espaço' mental e um surgimento de emoções positivas, como prazer, felicidade e gratidão. A concentração de acesso precede imediatamente o surgimento do primeiro jhana; deve-se simplesmente ficar com o objeto e o primeiro jhana surgirá.

4.  Um objeto externo focado na meditação de concentração, como um disco colorido ou uma chama de vela. Às vezes, os praticantes fecham os olhos depois de olhar para esse objeto por algum tempo, para que possam ver uma imagem posterior do objeto queimado em sua retina. Essa pós-imagem é então focada em que ela pode se transformar em objetos feitos pela mente, geralmente com efeitos bastante espetaculares. Um exemplo de tal prática é a minha meditação do iPhone Lanterna Afterimage Kasina.
5. Meditação budista da bondade amorosa. Metta é capaz de produzir jhana.

BIBLIOGRAFIA

ILLUMINATUS. What Is Concentration? Tradução de Lucas Augusto. Disponível em: < http://www.personalpowermeditation.com/what-is-concentration/>. Acesso em 26/08/2018

Grau II - O Centro da Meditação Estática

 Por Rawn Clark



Na natureza da consciência humana existe a necessidade de particularizar, definir e limitar algo para poder entendê-lo. Em nome da ciência, nós dissecamos o sapo em experimentos, com a esperança de compreendê-lo, ignorando o fato de que nós o matamos no processo e estamos examinando uma coisa morta. O erro em que nós caímos é a negligência. Nós não estamos querendo reintegrar nosso começo de entendimento de volta no “todo” orgânico de onde nós o tiramos. Ao invés de levarmos o sapo no laboratório, nós temos também a opção de levarmos nosso laboratório ao sapo, e observá-lo em seu ambiente natural, com sua vida intacta.

O nosso ambiente natural é o Universo Infinito, no qual nós humanos existimos através de um largo espectro de vibração. Nós experimentamos uma ponta deste espectro através de nossos pensamentos mais sublimes; e a outra ponta, através da realidade física de nossos corpos. O reino entre estes dois polos, que personaliza e conecta nossos pensamentos ao nosso corpo físico, é o nosso campo de experiência emocional. Esses níveis da vibração humana foram definidos como “espírito” (corpo mental, reino do pensamento), “alma” (corpo astral, reino das emoções), e “físico” (corpo físico, reino da sensação). No entanto, devemos entender que estas divisões são arbitrárias, construções humanas, porque não existe nenhum lugar onde um grau de vibração se separa do seguinte a ele.

A nossa experiência no nível físico é solitária. Nós vivemos como seres separados, dentro de um Universo repleto de outros seres solitários. Por trás de todos esses níveis de vibração, está Aquele que Vibra, o Eu Único do qual somos uma expressão. É esta “fábrica básica” que chama por nós em nossa solitariedade física e nos lembra da verdade central que estamos todos conectados de algum modo.

Toda a existência humana é uma dança entre nossa experiência solitária e a nossa necessidade primordial de conexão. Um dos grandes paradoxos do Universo, é que é a nossa própria existência física que nos cega quanto ao nível que estamos conectados. O mundo físico cativa tanto a nossa consciência que nós raramente ficamos cientes de que ha além: portanto, é apenas através do lançamento de nossa consciência além deste mundo físico, apenas tirando nossa atenção dele e nós focarmos em nosso interior é que poderemos experienciar os níveis mais profundos do Eu e tocar nossa Unidade primordial.

A barreira principal então, para uma experiência consciente do nosso Eu superior, é que os nossos sentidos físicos devoram grande parte da nossa atenção. Essa é uma consequência natural de uma existência física, e não pode ser julgada em termos de boa ou ruim. Simplesmente é. Os sentidos podem ser vistos ou como um magnífico e extraordinário presente de um Universo Benigno, cujo o único propósito é nos dar as faculdades necessárias para a vida física; ou como uma obrigação do mal, a qual estamos condenados a sofrer e batalhar. A técnica de meditação adiante é baseada na primeira opção acima e desenvolve um controle não apto a julgamento sobre os nossos sentidos.

Cada um de nós tem uma capacidade inerente a negar os sentidos. Enquanto você esteve lendo isso, os seus sentidos de audição, do ofato, do paladar, e do tato não estiveram reduzidos já que sua atenção estava focada em ver, sentir emocionalmente, e pensar racionalmente sobre essas palavras? Isto é apenas um exemplo de como nós subconscientemente selecionamos um ou dois sentidos sobre os outros. O ingrediente ativo aqui é a atenção, ou consciência, e é esta chave que a técnica do Centro da Meditação Estática utiliza no seu treinamento de negação consciente dos sentidos. Através do desenvolvimento de que nós fazemos um milhão de vezes por dia inconscientemente, o CME trás isso a um nível de uma faculdade consciente.

A habilidade de negar os sentidos a vontade, leva esforço e persistência para se obter; especialmente com alguma consistência. Mas mesmo com o primeiro breve momento de separação dos sentidos, vem uma familiaridade com o Centro Estático, aquele Silêncio Primordial que todos nós conhecemos em nossos ossos. Quando este Silêncio Primordial for experimentado, a questão do esforço torna-se irrelevante em luz das excitantes possibilidades percebidas nele. O subsequente refinamento do controle sobre os sentidos passa rapidamente depois disso, e os reinos interiores abrem-se.

O primeiro reino a se abrir é o da personalidade. No CME, isto é visualizado como uma teia de fibras luminosas, na qual cada um de nós roda dentro da corrente do tempo-espaço. Este é o nível no qual nós colocamos nossos Eus dentro de um contexto de quando e onde estamos, e nós nos ligamos a expressão física. A personalidade é nossa criação, uma cuja a criação ocorre inconscientemente e com qual sentimos poucos poder.

Como com o nosso poder de negar os sentidos, nós também temos uma habilidade inerente de moldar nossa personalidade. Lembre da sua adolescência, quando a “pressão do par” era o “cata vento” de quem você escolheu ser (ao menos até certo ponto); uma época de tentar diversas diferentes máscaras e escolher a que nos faziam sentir seguro, ou melhor ainda, escolher a que era “certa” para nós. Quando você foi crescendo e se tornando adulto, você não descartou certas máscaras por outras novas? Cada um de nós tem experiencias em mudar hábitos ruins, ou pequenas e incômodas peculiaridades, para melhor se adequarem em nossas vidas. Os músculos que nós usamos em nosso inconsciente, selecionando quais sentidos negar, são os mesmos que nós usamos na transformação inconsciente de nossas personalidades. O CME exercita esses músculos sobre a personalidade, e você aprende a conscientemente moldá-la, tecendo-a de uma nova maneira em uma expressão mais clara de quem você é e quer ser.

As experiências com a personalidade invariavelmente levam a pessoa a estar ciente de que há um Eu que está experienciando sua essência, que seria o “Agente”, o Moldador. Este é o próximo nível a se abrir, o nível do Eu Individual, o Eu Que Age. Nós normalmente experienciamos este aspecto do Eu através de emoções muito fortes, ou intuições, de que há um certo caminho que devemos seguir. Provavelmente as mais dramáticas experiências de sua vida foram acompanhadas pelo claro conhecimento de quem você é em sua essência. Esta é a sua Individualidade; seu Eu percebendo a si mesmo como um autônomo, indivíduo único. É a Individualidade que projeta e molda a teia de sua personalidade, e consequentemente manifesta-se fisicamente em um corpo; ou pondo de outro modo, a personalidade e o corpo físico são os veículos do Eu Individual.

No CME, o nível de Eu Individual é visualizado como um Sol com os aspectos da personalidade e do corpo físico orbitando ao seu redor como no Sistema Solar. Este Sol existe num Universo Infinito, repleto de outros Eus Individuais, outros sistemas solares, outras estrelas no céu a noite. Da perspectiva do Eu Individual, ele olha “para baixo” para a personalidade e o corpo, empunhando-os como ferramentas mágicas na expressão clara do propósito da Individualidade. Como com os sentidos e a personalidade, o CME pega outrora inconsciente processo natural e torna-o uma faculdade consciente integrada. A pessoa aprende a agir poderosamente e diretamente no Universo como um Individuo igualmente importante.

Com o amadurecimento do Eu Individual ele aprende a se expressar mais claramente, o poder de sua finalidade essencial se mostrará. O conhecimento, e mais importantemente, a experiência, de que tudo está interconectado e a da Fonte Única, começará a se cristalizar. Lentamente, a pessoa é levado a Grande Transformação, que vem com o abrimento do próximo nível do Eu, o do Grande Eu.

O Grande Eu é o primeiro nível  no qual nós realmente experimentamos a interconexão. O Grande Eu existe além do “espaço-tempo-significado” (que é a fundação do espaço-tempo), manifestando incontáveis Individualidades (e consequentemente personalidades, e corpos físicos) dentro da sua corrente. Já que palavras são construções do espaço-tempo, torna-se impossível descrever claramente tal reino, apenas poesia e misticismo podem aproximar uma expressão dele, portanto minhas palavras devem ser tomadas como símbolos, cheias de significado. Dito isto, eu o descreveria como um útero, do qual emergimos como Indivíduos focos de consciência. Mesmo assim, existem inúmeros (um infinito número de?) Grandes Eus, moldando sua prole no rio da existência; portanto isto claramente não é a Máxima Conectividade que chama por nós. Tal conexão vem apenas como consciência do Eu Único, o Eu do qual todos somos iguais centros de expressão. Essa é a Máxima União com Tudo e com o Todo, o objetivo final do CME.


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#10 - Malkuth: Corpo
#09 - Yesod: Personalidade (instinto)
#08 - Hod: Personalidade (mente racional)
#07 - Netzach: Personalidade (Baixas Emoções)
#06 - Tiphareth: Individualidade (essência)
#05 - Geburah: Individualidade (força de vontade)
#04 - Gedulah: Individualidade (altas emoções)
#03 - Binah: Grande Eu (Entendimento)
#02 - Chokmah: Grande Eu (Sabedoria)
#01 - Kether: O Eu Único

CLARK, Rawn. O Centro da Meditação Estática. Disponível em: <http://www.abardoncompanion.com/ViewerJS/#../pdf/CSM-pt.pdf>. Acesso em 08/08/2018.

Por que há espíritos negativos?

evolução espititual, espiritismo
Muitas pessoas perguntam por que há tantos espíritos desencarnados apegados ao plano físico ou envolvidos em tramas de assédio extrafísico. A explicação para isso é das mais simples: a morte não muda ninguém! O desencarnado de hoje é aquele mesmo que estava encarnado ontem. Extrafisicamente, ele é o reflexo exato daquilo que manifestava no plano físico.

A morte não transforma a pessoa tacanha em “gênio do além” e nem o desequilibrado emocional em anjo sideral. A pessoa é, após a morte, literalmente a mesma que era antes de desencarnar. Nem mais, nem menos: ela é a mesma consciência, com os mesmos pensamentos e desejos de antes; somente foi finalmente ejetada para fora do corpo. É apenas pura causa e efeito: se é após a morte o que se foi em vida terrestre.

Para entendermos bem a mecânica desse processo, é só observarmos o que a maioria das pessoas buscam na existência terrestre. Se a criatura busca desejos baixos na vida, o seu corpo espiritual* também vai manifestar energias de baixo nível. É por isso que encontramos tantos desencarnados em estado lastimável após a morte: já eram lastimáveis em vida, pois buscavam objetivos grosseiros. 

Como dizia o grande Léon Denis: “A morte não nos muda e, no além, somos apenas o que nos tornamos neste mundo. Daí a inferioridade de tantos seres desencarnados.”

Há muitos relatos antigos se referindo à influência nefasta dos espíritos negativos sobre as pessoas. Dependendo da época, do povo e da cultura vigente, a denominação desses espíritos variava: espíritos trevosos, almas penadas, fantasmas, espíritos inferiores, espíritos apegados, espectros malignos, demônios, e outros.

Paulo de Tarso (? - 67), o grande apóstolo cristão, sabia bastante sobre a ação desses espíritos infelizes, pois sofreu muitos assédios espirituais durante sua missão de espalhar os ideais cristãos. Por isso, ele escreveu o seguinte:
“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.”
(Paulo de Tarso, Efésios, cap. 6: vers. 12).


Porfírio, grande iniciado espiritualista da antiguidade, também se referiu ao assunto:
“A alma, mesmo depois da morte física, permanece ligada ao corpo por estranha ternura e uma a afinidade tanto maior quanto mais bruscamente essa essência houver sido separada de seu envoltório; vemos almas em grande número voltear, desorientadas, em redor dos seus restos terrestres. Ainda mais, vemo-las procurar com diligência os despojos de cadáveres estranhos e, acima de tudo, o sangue fresco derramado, cujo vapor parece restituir-lhes, por alguns instantes, certas faculdades da vida. Assim, os feiticeiros abusam dessa noção no exercício de sua arte. Nenhum ignora como evocar, à força, as almas, obrigando-as a aparecer, seja agindo sobre os restos do corpo que deixaram, seja invocando-as no vapor do sangue derramado.”
(Porfírio, Dês Sacrices, cap.II).


Paracelso (pseud. de Teophrastus Bombastus Von Hohenheim; 1490-1541), o grande alquimista e ocultista do século XVI, escreveu o seguinte:

“Vamos conhecer agora a maneira como os espíritos podem nos prejudicar. Se desejamos com toda a nossa vontade (plena voluntas) o mal de outra pessoa, essa vontade que está em nós acaba conseguindo uma verdadeira criação no espírito, impelindo-o a lutar contra o lado da pessoa que queremos ferir. Então, se esse espírito é perverso (mesmo que o corpo correspondente não seja), acaba deixando nele (no corpo) uma marca de pena ou sofrimento, de natureza espiritual em sua origem, ainda que seja corporal em algumas de suas manifestações.
Quando os espíritos travam essas lutas, acaba vencendo aquele que pôs mais ardor e veemência no combate. Segundo essa teoria, devem compreender que em tais contendas se produzirão feridas e outras doenças não corporais. Por conseguinte, toda uma série de padecimentos do corpo pode começar desta maneira, desenvolvendo-se em seguida conforme a substância espiritual.”
(Paracelso; “A chave da Alquimia”; p. 129; Editora Três).

A partir do surgimento do Espiritismo, com Allan Kardec (pseudônimo de Leon Hypolite Denizard Rivail; 1804-1869) e o “Livro dos Espíritos” (França; 1857), esses espíritos negativos passaram a ser denominados de obsessores espirituais ou de espíritos atrasados.

Na verdade, esses espíritos deveriam ser denominados de enfermos extrafísicos, pois o seu desequilíbrio é tão grande que os leva à obsessão e a loucuras espirituais. Infelizmente, o seu desequilíbrio acaba levando-os a se anexarem nas auras** das vítimas incautas que os atraem devido à sintonia espiritual, mental, emocional ou energética que manifestam. Nesse ponto, não custa nada lembrarmos do velho axioma espiritualista: “semelhante atrai semelhante”.

Considerando as dificuldades dos espíritos ligados à Terra, podemos classifica-las em:

1. Apego psicológico;
2. Apego energético;
3. Apego psicológico e energético.
As causas disso podem ser variadas. O ótimo pesquisador inglês Robert Crookall*** (1890-1982) classificou-as da seguinte maneira:
a) A atenção desses espíritos continua dirigida para as questões físicas;
b) Prevalece neles a necessidade de sensações grosseiras;
c) As suas repetidas afirmações, atuando como sugestões pós-hipnóticas, de que não há outro mundo além do físico tornam difícil para eles aceitarem a existência de algo além da morte;
d) Alguns desses espíritos são turrões por causa de sua absoluta estupidez, obstinação e desinteresse em aprender;
e) Falta de determinação para seguir em frente, rumo aos planos espirituais superiores.

Podemos acrescentar, ainda, mais duas situações que desequilibram muitos espíritos:
– corpo espiritual muito denso por causa do desequilíbrio espiritual, mental, emocional ou energético durante a vida física;
– energias remanescentes do duplo etérico (campo energético do corpo humano****) aderidas no corpo espiritual, mantendo-o, então, bastante denso e apegado energeticamente ao plano físico.

Em vista de tudo isso, para que manifestemos um bom nível de consciência na vida e possamos estar protegidos de influências espirituais negativas, é necessário que direcionemos os nossos esforços na aquisição de quatro coisas imprescindíveis na vida:

1. DISCERNIMENTO NA MENTE: para entendermos as coisas e buscarmos objetivos claros. Nesse aspecto, a leitura espiritualista, a meditação e a reflexão serena são aliados maravilhosos na nossa caminhada terrena.

2. COMPAIXÃO NO CORAÇÃO: para compreendermos os outros e ajudarmos a todos. Perdão, paciência e boa vontade são palavras de ordem para quem quer ser útil à vida. Contudo, sabemos na prática como é difícil ser assim. Mas sabemos também que estamos aprendendo e evoluindo. O próprio fato de estarmos estudando esses assuntos já é um bom passo na direção da melhoria de nós todos.

3. ENERGIAS SALUTARES NA AURA: para irradiarmos Luz para o mundo e expressarmos a plenitude de nossas capacidades anímico-mediúnicas na vida. Precisamos ter uma aura forte, limpa, colorida e chacras vibrantes*****.

4. ELEVADO NÍVEL DE ÉTICA (COSMOÉTICA): para que não julguemos, e tampouco condenemos os outros. A técnica de como fazer isso é simples: se observarmos os nossos defeitos com mais atenção e menos orgulho, sem dúvida não nos sobrará tempo para observarmos os erros dos outros. Precisamos prestar atenção nas coisas que são positivas. Quantos às que são negativas, vejamos o conselho do bom amigo espiritual André Luiz: “Sigamos o que for correto e sensato. O que não for, tenhamos paciência e compreensão, sabendo que a providência divina é magnânima e, no devido momento, impulsionará na direção certa a tudo e a todos, para o Bem Maior!

BIBLIOGRAFIA
Texto extraído do livro “Viagem Espiritual – A Projeção da Consciência” – Editora Luz da Serra – 2017.
NOTAS

* Corpo espiritual - Cristianismo - Cor. I, cap. 15, vers. 44.
Sinonímias: Corpo astral - do latim, astrum - estrelado - expressão usada pelo grande iniciado alquimista Paracelso, no séc. 16, na Europa, e por diversos ocultistas e teosofistas posteriormente.
Perispírito - Espiritismo - Allan Kardec, séc. 19, na França.
Corpo de luz – Ocultismo.
Psicossoma - do grego, psique - alma; e soma, corpo. Significa literalmente "corpo da alma" - Expressão usada inicialmente pelo espírito André Luiz nas obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier e por Waldo Vieira, nas décadas de 1950-1960, atualmente mais usada pelos estudantes de Projeciologia.

** Aura – do latim, aura - sopro de ar – halo luminoso de distintas cores que envolve o corpo físico e que reflete, energeticamente, o que o indivíduo pensa, sente e vivencia no seu mundo íntimo; psicosfera; campo energético.

*** Robert Crookall é autor de várias obras sobre as experiências fora do corpo, publicadas na Inglaterra e na América do Norte.

**** Duplo etérico – É um campo energético bastante densificado através do qual o psicossoma se une ao corpo físico. É uma zona intermediária pela qual passam as correntes energéticas que mantêm o corpo humano vivo. Sem essa zona intermediária, a consciência não poderia utilizar as células de seu cérebro físico, pois as emanações do pensamento, oriundas do seu corpo mental, e as emanações emocionais, oriundas do seu psicossoma, não teriam acesso à matéria física.
Obs.: Ver o artigo “Diferenças Entre o Psicossoma e o Duplo Etérico”: http://www.ippb.org.br/bioenergia/duplo-eterico-x-psicossoma

***** Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e que têm como função principal a absorção de energia - prana, chi - do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico. Os principais chacras são sete – que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico.
Obs.: Ver o texto “Chacras e Cura Psíquica - II”: http://www.ippb.org.br/bioenergia/chacras-e-cura-psiquica-iiE, para mais informações detalhadas sobre bioenergia, aura e chacras, ver a seção específica no site do IPPB, no seguinte link: http://www.ippb.org.br/bioenergia.